Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/10/2020
No filme “A Menina que Roubava Livros”, Liesel Meminger é uma menina que vive os horrores da Segunda Guerra Mundial e, com a ajuda do seu pai, é capaz de fugir daquela realidade ao ler várias obras literárias. Fora da ficção, a realidade dos brasileiros pouco se assemelha a da personagem, visto que o hábito de ler é pouco recorrente entre os cidadãos. Desse modo, a problemática da escassez da prática da leitura se configura na ineficiência dos métodos de inserção dos livros nas escolas e na falta da democratização do acesso ao livro.
Primeiramente, é válido ressaltar a importância que os livros têm na formação social de um indivíduo em decorrência do conhecimento que eles proporcionam. Desse modo, o filósofo francês Pierre Bourdieu configura o capital cultural: uma forma de cultura que está diretamente relacionada às experiências de uma pessoa e, portanto, um fator que contribui no seu desenvolvimento. Sob essa perspectiva, evidencia-se que o hábito da leitura deve ser melhor implementado nas escolas brasileiras, por meio de livros mais interessantes para o estudantes, a fim de garantir envolvimento nas atividades escolares e estímulo à imaginação. Além disso, é válido ressaltar que a esfera familiar, por ser um forte agente na formação das crianças e adolescentes, precisa ser estimulada pelas instituições educacionais a atuar mais ativamente no incentivo dos jovens a lerem com maior frequência.
Paralelamente, a restrita acessibilidade aos livros configura mais um desafio na efetiva inserção da prática da leitura no cotidiano dos brasileiros, apesar da Constituição da República de 1988, em seu artigo 227, garantir o direito à educação. Diante disso, a sociedade se mantém distante do que impõe a norma constitucional, em virtude de parte da população, sobretudo a de menor renda salarial, ainda não ter pleno acesso aos livros. Desse modo, é notório que o Estado não tem cumprido o seu papel como agente fundamental na garantia dos direitos dos cidadãos e, por isso, surge a necessidade de implementação de medidas públicas para que haja a reversão da inconstitucionalidade existente.
Dessarte, a falta da prática da leitura precisa ser combatida. Como forma de garantir isso, o Ministério da Educação fornecerá novas diretrizes a serem seguidas pelas escolas brasileiras, incluindo novos livros paradidáticos ligados à faixa etária dos estudantes e que serão disponibilizados pelas escolas por meio de verbas públicas. Ademais, é imprescindível que as instituições de ensino do país reforcem o laço familiar e a sua importância no desenvolvimento cultural e intelectual dos jovens brasileiros, por meio de atividades escolares que garantam a interação entre pais e filhos. Por fim, faz-se necessária, também, a ampliação das bibliotecas públicas, com o intuito de permitir o acesso à literatura, utilizando-se de maior aporte financeiro, a ser cedido pelo Ministério da Economia.