Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/10/2020
A frase célebre “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, de Paulo Freire, mostra como a evolução da educação e da sociedade caminham juntas. Nesse contexto, vê-se que o avanço social é diretamente proporcional aos investimentos que o Estado faz para que a nação cresça culturalmente. Dessa forma, cabe analisar os motivos do desinteresse pela leitura no país, bem como o patrocínio do Estado quanto à modificação nos tributos do setor livreiro.
Em primeiro plano, urge analisar o porquê da falta de interesse pela leitura no país. Nesse âmbito, de acordo com Alberto Carlos Almeida, cientista político, isso é devido a matriz cultural católica de Portugal que tinha por premissa apenas a instrução das elites, diferentes dos países protestantes, como a Alemanha, que priorizaram a alfabetização de todos. Com efeito, tal conjuntura histórica prejudicou a construção de uma cultura de leitura nos países oriundos de colonização exploradora, como o Brasil.
Paralelo a isso, o fato de o Estado estar favorecendo a mudança tributária no setor é preocupante. Nesse contexto, a imunidade tributária de livros, periódicos e papel destinado à impressão, possui cunho fomentador aos leitores e discentes e deveria ser preservada, pois além de estar pautada na própria Carta Magna, é a manifestação do direito fundamental da livre expressão de pensamento, sem qualquer tipo de censura. Logo, percebe-se que interesses políticos desconexos com a realidade podem desconstruir essa conquista cultural.
Em síntese, medidas devem ser tomadas a fim de mitigar os efeitos das problemáticas em questão. Cabe ao Ministério da Educação, responsável pelo tema no país, desenvolver nas escolas, debates e clubes de leituras, que instruam como desenvolver o hábito de ler em casa, ministrados por professores e neurocientistas que possuem o hábito de ler, a fim de mostrar o lado pragmático da cultura aplicada em casos individuais. Só assim, ver-se-á, de fato, que a educação e a sociedade devem andar juntos rumo à evolução mútua.