Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 13/10/2020
O “Mito da Caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma implicação no que diz respeito aos desafios para prática da leitura. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar fatores, como uma mudança na mentalidade social brasileira e a má influência midiática, além de explorar condutas conscientes por toda a população.
A princípio, considerando o atual panorama de avanços tecnológicos refletido em uma transição das concepções societárias acerca dos hábitos de brasileiros, deve-se destacar a necessidade de um maior engajamento identitário e cultural. Nesse sentido, observa-se que, diante do imediatismo fixado, bem como a falta da representatividade da leitura, é utilitário que a sociedade brasileira propague e estimule a apreciação dos livros como elementos-chave para o progresso moral. Afinal, segundo Paulo Freire, educador brasileiro, “Educação não transforma o mundo, educação muda pessoas, pessoas transformam o mundo”.
Outrossim, essa temática remete à distorção dos interesses e, em particular, ao silenciamento da leitura como produtos de uma manipulação da mídia e dos meios de comunicação. Para Pierre Bourdieu, sociólogo francês, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de omissão ou opressão. Desse modo, é preciso estar atento ao fato de que, além de suprimir a priorização dos interesses financeiros, a adaptação aos novos métodos contemporâneos ampliando a relevância do ato de ler requer atenção responsável de todos os envolvidos nas dinâmicas sociais e econômicas.
Portanto, mais do que um tema pertinente, os desafios para a prática da leitura no Brasil representam grandes objeções. Para que cessem, o Ministério da Educação, como setor governamental responsável pelo ensino geral, pesquisas e extensões, deve promover a cultura de valorização da livre circulação de exercícios e costumes e, sobretudo, de profissionais para mediarem transformações socioeducativas e culturais. Para tanto, devem ser realizadas por meio da inserção de debates nas disciplinas escolares e de campanhas e exposições coletivas, como museus de leituras, a fim de garantir um pluralismo de ideias e diversidade de discernimentos. Ademais, a própria sociedade civil deve agir segundo a máxima que gostaria de ver modificada em lei universal, por intermédio da adoção de hábitos informativos. A partir dessas ações, espera-se propiciar melhores índices de leitura no país.