Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/10/2020
O livro “A menina que não sabia ler, do autor John Harding, retrata a história da menina Florence e de sua busca em aprender a ler por conta própria após ser proibida por seu tio de pegar em livros. Fora das telas, a narrativa representa uma analogia acerca da importância da literatura para a compreensão do mundo, entretanto, ainda assim a prática da leitura apresenta desafios que precisam ser combatidos no Brasil. Nesse cenário, é preciso entender as causas que consolidam esse entrave e as consequências disto na vida dos brasileiros.
Em primeiro momento, faz-se necessário compreender os motivos que dificultam o acesso a leitura. Assim, a correria do mundo contemporâneo é fator que intensifica essa realidade, uma vez que o estresse oriundo desse cenário faz com que o homem se sinta cada vez mais cansado e, por isso, deixe em segundo plano atividades de lazer e conforto, tal como a leitura. Além disso, em muitos casos devido aos preços exorbitantes estabelecidos por livrarias, livros e e-books são taxados como produto de elite e acabam não fazendo parte da realidade de classes mais marginalizadas. Ademais, a falta de estímulo pelo hábito de ler em casa e nas escolas, faz com que a literatura seja encarada como uma obrigação, desmotivando crianças e adolescentes a adquirirem esse costume.
Nesse sentido, uma sociedade que se consolida sem as bases de um bom letramento tende a ser altamente prejudicada, pois consoante ao líder e pai da nova nação sul-africana Nelson Mandela, " a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo”. Dessa forma, uma comunidade sem o hábito literário possui seu sistema educacional fragilizado, interferindo na formação plena de jovens e adultos e apresentando empecilhos em direção ao progresso. Outrossim, a leitura é fundamental para a formação do pensamento do cidadão e sua falta interfere diretamente em sua capacidade de interpretação, o que o torna sujeito a acreditar em notícias falsas e de ser facilmente manipulado.
Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem os desafios enfrentados durante o processo de conhecimento literato. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério da Educação, em parceria com as prefeituras municipais, a criação de programas sociais que incentivem a disseminação da leitura, através da distribuição de livros gratuitos em escolas e pontos públicos das cidades, campanhas que estimulem a troca e doação destes e projetos literários, como rodas de história que espalhem o hábito de ler para áreas com maior dificuldade de acesso, a fim de atenuar os índices de indivíduos que não possuem esse costume e proporcionar um melhor desenvolvimento educacional. Somente assim, serão formados jovens curiosos como Florence em conhecer o poder da literatura.