Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/10/2020
O romance distópico do inglês Aldous Huxley, “Admirável Mundo Novo”, narra a humanidade dominada pelo Estado Mundial, o qual tornou alguns livros clássicos proibidos, com o pressuposto de que comprometiam a estabilidade social. Analogamente, é relevante equiparar a obra de Huxley ao contexto do Brasil contemporâneo, uma vez que, apesar do progresso propiciado pela prática de leitura, ainda se verificam obstáculos para sua maximização. Logo, há exemplo da passividade social, bem como a fragilidade ao acesso.
A princípio, ao averiguar o quadro supracitado, depreende-se que a passividade social corrobora a inibição da leitura. Nesse âmbito, o célebre filósofo alemão Friedrich Nietzsche expõe o conceito de super-homem, em que o homem para ser livre plenamente precisa abandonar a condição de prisioneiro e ser dono de si mesmo. Com base nisso, é fundamental destacar que a sociedade hodierna priva-se de tal liberdade, dado que alguns vinculam uma postura negligente em relação ao hábito de decodificar, o qual desperta criticidade autônoma. Por conseguinte, acabam por incorporar a ideia nociva de que ler é monótono, de modo a culminar a criação de indivíduos ausentes de pensamentos críticos e vulneráveis socialmente.
Ademais, é de suma relevância evidenciar a fragilidade ao acesso como propulsora da condição aludida. Nessa perspectiva, conforme o levantamento Retratos da Leitura, realizada pelo Instituto Pró-Livro em 2018, 44% da população brasileira não leem e 30% nunca compraram um livro. Dessa forma, é essencial pontuar que essa estimativa comprova a precariedade dos programas, debates e políticas públicas direcionadas ao estímulo e aquisição de obras entre os cidadãos, em que passam a tratar tal hábito como obsoleto, subjugando-o aos meios eletrônicos. Assim, fomenta consequências como a marginalização na inserção do mercado de trabalho, posto que dificulta a comunicação e interpretação entre as pessoas.
Portanto, diante do exposto, intervenções capazes de atenuar os desafios ao incentivo à prática de leitura no Brasil são indispensáveis. À vista disso, as escolas devem, com o apoio de ONGs, realizar projetos que abordem a interpretação fora do senso de imposição, através de apresentações lúdicas que exibam a diversidade das tipologias textuais e a relevância de entender a realidade criticamente, a fim de desvincular-se do teor invariável. Outrossim, o Governo necessita ampliar os recursos que elaborem campanhas de leitura de forma didática, por meio da criação de um passe-leitura gratuito em bibliotecas virtuais e presenciais que gerem um acesso efetivo, com efeito de distanciar o Brasil da realidade proposta por Aldous Huxley em “Admirável Mundo Novo”.