Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 13/10/2020
“Um país se faz com livros e homens”. Frase do escritor Monteiro Lobato que resume a importância da leitura para a construção de uma sociedade. No entanto, percebe-se que a nação brasileira ignora o posicionamento de Lobato e permite que o hábito de ler não seja uma constância no tecido social. À luz disso, ao analisar as causas para tal comportamento, nota-se que perpassam por ensino tecnicista nas instituições escolares, mas também pela inoperância do Estado.
A princípio, conforme o filósofo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Seguindo essa linha de pensamento, percebe-se que a falta do hábito da leitura no Brasil dialoga com uma escola que não estimula essa prática. Prova disso é a prevalência da educação tecnicista no ambiente escolar, dado que essa não se ampara na realidade que o homem está inserido, consoante a isso, permite, por exemplo, a padronização de livros literários que não fomenta o processo de identificação do aluno. Dessarte, uma didática pedagógica que não aguça o interesse do estudante durante o ato de ler dificulta o desenvolvimento dessa prática no tecido social.
Além disso, de acordo com o filósofo Henrique de Lima, “a sociedade se assenta em um enigma de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. Sob esse prisma, observa-se a postura do Estado em relação à leitura, posto que apesar da existência de leis que afirmam o dever do governo em fomentar um cenário propicio para a construção de uma educação qualidade, nota-se, entretanto, uma realidade que contradiz tais afirmações. Isso se comprova pelos dados do Inep-Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira-, os quais demonstram que 55% das escolas públicas não possuem bibliotecas. Assim, a inoperância governamental faz com que uma prática essencial ao indivíduo seja desprezada.
Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão traçar políticas públicas que incentive a leitura no país. Nesse viés, tais programas se estruturarão da seguinte forma: criar nas escolas um projeto que estimule a prática do ler, por meio de aulas de literatura que apresentem ao aluno livros que correspondem com a sua realidade, como, por exemplo, na faixa etária da adolescência, apresentar a esse obras contemporâneas de romance juvenil e também relacionada à questão da existência do indivíduo, a fim de que, mediante o processo de identificação, solidifique o hábito de ler. Ademais, o governa, por intermédio de verbas públicas, construirá bibliotecas nas instituições escolares , com objetivo de efetivar as suas leis em relação ao seu dever de fomentar uma educação de qualidade. Dessa forma, a sociedade brasileira conseguirá reverbera a visão de Lobato.