Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 13/10/2020

Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude humana. Para o filósofo, sem a sabedoria desenvolvida através da leitura, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse sentido, é notório a necessidade do ato de ler para a construção de uma sociedade mais culta. No entanto, devido a falta de incentivo por parte dos setores responsáveis, bem como de um mercado capitalista, permite que os desafios para a prática da leitura no Brasil se intensifique.

Em primeiro plano, é possível analisar o problema pela sua raiz: a educação. Instituições de ensino, hoje, não incentivam mais a leitura diária. Nesse contexto, segundo Zygmunt Bauman, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, haja vista que podem propiciar voos ou com dições de desinteresse. Sob esse viés, é fato que ainda há escolas que adotam livros para o ano letivo e trabalham seu conteúdo em sala de aula, mas, em grande maioria, os principais agentes responsáveis pela criação do hábito em sociedade não se preocupam mais com a leitura. Contudo, a ausência de incentivos a respeito de tal avidez, contribui para o desinteresse do aluno acerca do ato de ler, um vez que abre portas para uma sociedade menos engajada intelectualmente.

De outra parte, é preciso pontuar o capitalismo no mercado de livros como impulsionador do impasse. Diante disso, o jornal Folha de São Paulo publicou um artigo que aponta o aumento diário nós preços dos livros. Apartir desse dado, é possível extrair que o número de consumidores diminuem devido aos altos valores dos livros, fazendo com que as pessoas optem por uma distração mais econômica, como os eletrônicos, CDs, DVDs e brinquedos, o que é compensado pelo prejuízo trazido pela escassez da venda de livros. Dessarte, essa é a intenção da Indústria Cultural, uma vez que é mais vantajoso o consumismo de objetos com baixo custo de produção, aumentando assim os lucros dos mercados. Desse modo, o incentivo, que já era pouco é posto em xeque pela própria precificação.

Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro exposto. Acerca disso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, palestras e simpósios nas escolas, as quais elucidem a importância da leitura para a obtenção do conhecimento histórico e contemporâneo da sociedade, objetivando a construção da criticidade no indivíduo a respeito da prática da leitura. Além disso, o Governo Federal, em parceria com as ONGs, pode desenvolver campanhas de doação de livros, a fim de incentivar a adoção das leituras habituais sem custos por parte dos cidadãos, garantindo assim o desenvolvimento de novos leitores no país. Assim será possível superar os desafios para a prática da leitura no Brasil.