Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 07/11/2020
A Constituição Federal de 1988 garante o acesso à cultura para todos os residentes do país. Existem diversas formas de cumprir esse dever, e uma delas são pelos livros, que são uma fonte de aprendizado fundamental e de fácil apropriação. No entanto, devido a fatores como a precária educação básica ofertada e o preço desses informes impressos, setores da sociedade têm seu direito cessado e ficam impossibilitadas de ter contato com a forma de cultura entregue pela leitura.
Inicialmente, é importante destacar que o analfabetismo impede que as pessoas tenham acesso à leitura. A esse respeito, a Constituição Federal garante o acesso à educação básica a todos, o que inclui a alfabetização. Entretanto, devido a diversos fatores esse direito não é ofertado, e cerca de 6% da população é analfabeta no Brasil, segundo o IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Esse panorama de desigualdade impede que o ato de ler seja difundido por todos os setores sociais, restringindo seu domínio nas classes com maior grau de escolarização. Nesse sentido, torna-se fundamental universalizar a educação básica, para que um direito constitucional não se torne um privilégio social.
Além do grau de escolarização, outro fator que impede a prática da leitura é o preço dos livros no Brasil. O sistema capitalista, modelo vigente de economia do país, visa o lucro acima de tudo. Nesse contexto, se torna privilegiado os que possuem alto poder aquisitivo. Porém, a massa social brasileira não se encontra nesse cenário, já que cerca de 13 milhões de pessoas se encontram desempregadas, de acordo com o IBGE. Com isso, infere-se que esses indivíduos sem fonte de renda são impossibilitados de terem acesso a livros, uma vez que o preço desses objetos é alto e eles precisam utilizar o pouco dinheiro disponível para as necessidades básicas, como a alimentação. Assim, é exposta a incoerência em manter um modelo econômico em um país com dimensões continentais que só agrade uma mínima quantidade da população.
Logo, torna-se evidente que é necessário tomar medidas para aumentar a prática da leitura no Brasil. Para isso ocorrer, o Governo Federal, por meio do dinheiro de impostos, deve ampliar a quantidade de escolas públicas em locais afastados dos centros urbanos, criando projetos de auxílio financeiro, como já ocorre nas universidades públicas, para incentivar a permanência desses estudantes nessas novas instituições, a fim de diminuir a taxa de analfabetismo no país. Além disso, o Estado deve criar uma lei que proíba o encarecimento de livros para satisfazer o capitalismo, com a finalidade de expandir o acesso desse meio de sabedoria para todos. Só com essas ações, o brasileiro finalmente poderá ter boa parte do seu direito previsto na Constituição entregue.