Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 15/10/2020

Não há leitores, mas há livros!

No livro “Matilda” do escritor britânico Roald Dahl, a personagem principal desenvolve um grande poder mental através da leitura, podendo movimentar objetos com a mente. Partindo da ficção, sabe-se que o hábito de ler possui inúmeros benefícios ao cérebro, dentre eles, estimula a criatividade e promove a sensação de bem estar. Entretanto, o avanço da tecnologia associada à negligência humana, impede que esse costume seja frequente ou quase inexistente em países como o Brasil. Desse modo, é essencial a intervenção de agentes públicos no processo de estímulo a essa prática.

Em outrora, com o advento do romantismo literário no nosso país, o ato de ler se popularizou no século XVIII entre a elite e alcançou a massa popular no século XX com o modernismo. Sendo assim, percebe-se que a população era comumente entretida pelos livros e não raramente, os utilizava como fonte de pesquisa. Todavia, com a propagação da internet no mundo hodierno, a necessidade de se obter conhecimento em páginas de papel, decaiu com o excesso de informação presente nos meios digitais. De acordo com a pesquisa feito pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, os universitários brasileiros leem de 1 a 4 livros por ano, optando sempre pelo esclarecimento de suas dúvidas no ciberespaço.

Ademais, é importante ressaltar que a comunidade tem se mostrado cada vez mais desinteressada pelo hábito da leitura. Como consequência disso, a professora do Instituto de Psicologia Fraulen Vidigal alerta: “A carência da competência leitora pode acarretar problemas, tanto no campo social, quanto no campo cognitivo”. Analisando a perspectiva da docente, é correto afirmar que a comunicação entre os indivíduos que não gostam de ler ou que são iletrados é falha, pois não há compreensão, muito menos uma conversa. Nesse contexto, é importante que a instrução seja desenvolvida no ambiente residencial uma vez que, se o adulto não tem o costume de ler, provavelmente seu filho também não terá.

Portanto, seguindo o raciocínio do professor Valdir Barzotto em que ele afirma que a solução está presente no governo, na escola e no lar, medidas são cabíveis para resolver a problemática. Primeiramente, o Governo Federal, através do Ministério da Educação, deve ampliar o número de bibliotecas nas cidades com o intuito de democratizar o acesso à leitura. A Secretaria da Cultura, por sua vez, pode promover peças públicas no país, onde os artistas contariam histórias de determinados livros, a fim de despertar a curiosidade do público pela narrativa apresentada. Por fim, os pais ou responsáveis devem procurar ler diariamente ao menos um livro para seus sucessores, objetivando o interesse dos pequenos prematuramente. Assim, será possível trazer novamente essa prática fundamental para a educação e construir um patrimônio do qual a Matilda certamente se orgulharia.