Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 13/10/2020

A série, canadense, “Anne com e” evidencia a história da personagem  Anne. Não obstante, o enredo ilustra que a alta capacidade cognitiva da garota veio com o hábito de leitura. Ao sair do âmbito ficcional, a história se distancia da realidade, pois a desigualdade social e a alienação cultural são grandes desafios que impedem a prática da leitura no Brasil. Nesse sentido, há de se desconstruir o panorama de injustiças culturais.

A princípio, a premissa de que a elite atribuiu valores para o acesso a cultura já foi estudado pela filosofia. Nesse viés, o termo “Indústria Cultural” foi utilizado por Adorno e Horkheimer para descrever a desigualdade do acesso ao conhecimento. Logo, o discurso do economista Paulo Guedes, alegou ao público, em entrevistas jornalísticas, que os livros são produtos da elite e, por isso, deveriam ser tributados. Dessa forma, é previsível que a falta de acesso aos livros é um desafio atual que é reforçado pela letargia do Estado.

Nesse contexto, é notório que a alienação cultural é uma consequência persistente. Atrelado a isso, dados do site Edição do Brasil indica que 44% da população não pratica o hábito de leitura. Por conseguinte, Pondé, filósofo brasileiro, declarou na obra “Filosofia para corajosos” que o cidadão que não lê é alienado e incapaz decidir algo na esfera erudita. Em vista disso, é necessário mudança para garantir a humanização do pensar.

Portanto, para combater os desafios da leitura, as prefeituras, com o auxílio do Ministério da Educação, devem buscar desconstruir a desigualdade que causa alienação, por meio de eventos populares, como palestras abertas para a comunidade, a fim de mobilizar a população para praticar a leitura nas bibliotecas públicas, a fim de incentivar os cidadãos a atividade e reduzir diferença social. Ademais, é necessário o encorajamento do Estado, com intenção de melhorar o acervo literário nas bibliotecas municipais. Desse modo, os desafios que impedem a prática da leitura deixarão de existir e cada vez mais brasileiros poderão usufruir do saber empírico, assim como a Anne.