Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 13/10/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora dessa alusão, a realidade brasileira caracteriza-se pela problemática no que diz respeito aos desafios para a prática da leitura no Brasil, uma vez que se o individuo não buscar conhecimento através da leitura, ele estará fadado a acreditar em tudo aquilo que lhe dizem. Nesse contexto, torna-se evidente como causas da problemática a falta de bibliotecas públicas, bem como o pouco incentivo à leitura pelo núcleo familiar.
Mormente, evidencia-se que a falta de infraestrutura bibliotecária e a precariedade das existentes, em muitas localidades, são fatores relevantes para a complexidade do problema. A filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço púbico seja preservado para que se assegurem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania, ou seja, sem uma infraestrutura pública, o cidadão é prejudicado. Uma vez que, há falta de investimento governamental em infraestruturas que dão suporte a essa prática, o que acaba por dificultar sua resolução. Tal quadro de inacessibilidade à leitura é ainda mais agravado pela escassez de livros nas poucas bibliotecas que resistem, além do alto custo dos livros quando se compara com o poder aquisitivo de parcela da população.
Outrossim, a negligência parental perante o tema é um grande impasse dessa situação. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a inexistência do hábito de leitura para parte da população apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema encontra-se dentro das casas das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo. Nessa perspectiva, de acordo com pesquisa de Retratos da Leitura, faltou incentivo à prática de leitura para cerca de 70% da população, seja pelo analfabetismo, funcional ou não, seja simplesmente pela pouca valorização da leitura, o que corrobora para o atual déficit de leitores na sociedade.
Infere-se, portanto, que medidas estratégicas são necessárias para dirimir os desafios dessa temática. Cabe ao MEC em parceria com poderes municipais criarem projetos de incentivo à leitura com foco em turmas dos anos iniciais, através da concepção de grupos de leituras, distribuição de livros e promoção de trocas entre as crianças e também seus familiares. Para que, assim, o hábito seja cultivado na infância e permaneça até a vida adulta, desenvolvendo o seu senso crítico. Além disso, é fundamental destinar recursos do município para manutenção das bibliotecas existentes e para constru-ção de novas em localidades que ainda não possuem. E, então, as novas gerações desenvolverão melhor o senso crítico e perderão o medo de enxergar a realidade diferenciando-se do mito platônico.