Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 14/10/2020

Na obra “A menina que roubava livros”, do escritor Markus Zusak, é retratada a história de uma garota que utilizou a prática da leitura como uma distração aos horrores que vivenciava no período da Segunda Guerra Mundial. Essa narrativa mostra apenas um dos inúmeros benefícios que a cultura literária pode proporcionar à sociedade e ao indivíduo. Contudo, observa-se a configuração de vários desafios relacionados à prática da leitura no Brasil, conduzidos tanto pela falta de incentivo, quanto pelo descaso governamental.

A princípio, vale evidenciar que, principalmente durante os primeiros anos da infância, os pais e as instituições de ensino possuem um papel fundamental no desenvolvimento ético e cultural dos cidadãos. Entretanto, segundo dados do Instituto Pró-Livro, 30% dos professores brasileiros não praticam o hábito da leitura em seu cotidiano. Somado a isso, os pais que não dispõem da prática de ler, dificilmente passaram esse costume aos seus filhos, uma vez que, conforme o conceito de “consciência coletiva”, criado pelo sociólogo Émile Durkheim, o conjunto de características de uma sociedade, faz com que os indivíduos pensem e ajam de forma semelhante.

Ademais, embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à cultura como direito de todos cidadãos, de acordo com o SNBP (Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas), o conjunto de bibliotecas públicas no país é insuficiente e mal distribuído. Dessa maneira evidencia-se o descaso governamental no que se refere ao cumprimento da garantia legislativa, visto que a precária disponibilidade livros gratuitos, impossibilita a democratização do acesso à cultura da parcela social financeiramente vulnerável.

Portanto, diante dos fatos citados, faz-se necessário medidas para a resolução do impasse. Para que isso ocorra, é necessário que as escolas promovam o incentivo à leitura por meio da criação de clubes do livro, com encontros mensais, envolvendo toda a comunidade escolar. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, mediante a investimentos, disponibilizar bibliotecas em bairros e cidades com maior vulnerabilidade econômica, a fim de oferecer livros gratuitos a população carente e, por conseguinte, facilitar o acesso à cultura. Dessa maneira, o problema seria resolvido de maneira eficaz, contribuindo, assim, para que a apreciação pela leitura presente obra “A menina que roubava livros” fosse refletida na nação.