Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 31/10/2020
No dia sete de janeiro de 1928 era fundado o jornal cearense “O Povo”, que tornou-se símbolo do combate à corrupção e ajudou a divulgar o movimento modernista no Nordeste, por isso essa data foi considerada o Dia do Leitor no Brasil. Apesar do crescimento do hábito de ler no país desde a fundação do jornal, apenas 52% dos brasileiros com mais de cinco anos podem ser considerados ledores regulares, segundo o Instituto Pró-Livro. Isso decorre dos desafios para a realização da sua prática, como falta de tempo, de motivação e dificuldade na percepção dos textos.
A priori, a lei número 12.244, de 2010, obriga que todas as instituições de ensino públicas ou privadas tenham um acervo bibliotecário até 2020. Entretanto, os dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica, de 2019, apontam que apenas 45% das escolas públicas contam com bibliotecas ou salas de leitura, o que dificulta a criação do hábito de ler, visto que estes lugares se destacam como principal meio de acesso gratuito ao livro. Ademais, o profissional da educação desempenha um papel fundamental no incentivo a essa prática, porém a realidade é que 16% dos professores foram considerados não leitores, conforme a pesquisa do Institui Pró-Leitor, situação que compromete o interesse dos alunos pela literatura.
Outro entrave no desenvolvimento do costume da leitura é a deficiência na alfabetização, que gera dificuldade em compreender textos, reflexo disso são os dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos em que cerca de 50% dos estudantes tiveram resultados abaixo do nível 2 em leitura, sendo este o patamar básico. Além disso, a internet tem contribuído negativamente com essa problemática, pois apesar dela facilitar a população o acesso aos conteúdos, nem sempre esse conhecimento disponível é confiável ou verídico. Esse cenário gera graves consequências aos indivíduos, sobretudo no campo social, pois representa a diferença no acesso à informação e o pleno exercício dos seus direitos. Desta forma, ter essa habilidade é um empoderamento a mais do cidadão, em consonância com o pensamento de Antonio Lobo Antunes “um povo que lê nunca será um povo escravo”.
É evidente, portanto, que o Estado deve construir mais bibliotecas nas escolas e aparelhar aquelas que já existem, por meio do aumento do repasse de verbas as instituições, além de investir em políticas públicas que visem a capacitação dos professores, mediantes cursos e palestras, que orientem como despertar a vontade da criança em ler, logo garantir o acesso do aluno ao livro, possibilitando o seu crescimento pessoal e a sua construção cognitiva. Também, o Ministério da Educação necessita divulgar e disponibilizar, através das mídias sociais, como Instagram, um acervo de livros variados, e, assim, promover o interesse dos brasileiros pela prática da leitura.