Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 17/10/2020

No filme “Escritores da Liberdade”, vê-se uma professora de Literatura engajada, a qual incentiva seus alunos a gostarem de ler, o que muda a vida deles para melhor. No entanto, o que se observa no Brasil é exatamente o oposto, pois ainda se encontram vários desafios para a prática da leitura, os quais são, primordialmente, a falta do hábito da leitura nas pessoas e aulas de Literatura que não despertam o prazer de ler nos alunos.

Antes de tudo, vale ressaltar que os brasileiros não têm o hábito de ler. Prova disso, foi uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-livro, a qual constatou que mais de 30% da população não lê com frequência e cerca de um terço nunca comprou um livro. Com isso, esses dados alarmantes evidenciam que o povo brasileiro não pratica a leitura de livros. Isso se dá, em grande parte, pela inabilidade de compreensão de textos considerados mais difíceis de se ler, os quais estão presentes em muitas obras literáreas de autores renomados, como “Dom Casmurro” de Machado de Assis e “1988” de George Orwell. Além disso, essa inabilidade é agravada pelo uso de aplicativos de mensgens instantâneas, os quais somente refletem uma conversa falada do dia a dia, que não tem objetivo de ser formal, mas sim coloquial e de fácil entendimento, o que, muitas vezes, mal acostuma os potenciais leitores e os desanima na hora de enfrentar textos mais elaborados.

Ademais, as aulas de Literatura não criam o prazer de ler nos alunos. Um exemplo disso é o filme “Sociedade dos poetas mortos”, o qual mostra a rotina de alunos de um colégio que odeiam ler e odeiam as aulas de Literatura, porém tudo isso muda com a chegada de um professor substituto, o qual passa a incentivá-los a ler ao mostrá-los as histórias por trás das páginas, com as quais eles se identificaram. Analogamente, esse longa mostra como a escola pode alimentar o desejo da leitura ou extinguí-lo, a depender de como se apresentam os contos aos alunos. Nesse sentido, Luís Antônio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, afirma que o livro na escola é visto como objeto usado apenas para “passar na prova”. Dessa forma, fica claro que a escola também tem culpa no que diz respeito à prática do hábito da leitura, uma vez que fornece aulas muito focadas na avaliação final, o que desvia o real foco da leitura: promover a refelxão e o catarse nos indivíduos.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o problema. Logo, o Estado deve reestruturar as aulas de Literatura, de modo que os estudantes possam escolher os livros a serem lidos e não tenham que fazer uma prova formal ao final, apenas discutir o livro com o professor num horário previamente marcado. Isso deve ser feito por meio da reformulação da grade curricular de Literatura, com o fito de criar cidadãos reflexivos e críticos capazes de espalhar o hábito da leitura entre os brasileiros.