Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 16/01/2021
No contexto do Renascimento, Johannes Gutenberg desenvolveu uma das inovações tecnológicas que revolucionaram a história da humanidade: a imprensa. Nesse sentido, tal invenção democratizou, de certa forma, o acesso à literatura, antes restrito à extrema elite. Apesar da contribuição de Gutenberg, significativa parcela do corpo social brasileiro ainda encontra-se segregada da literacia, o que deve ser solucionado. Assim, seja causada pela desigualdade social, seja pela ausênca histórica de incentivo à leitura, a incipiência do hábito de ler deve dar lugar à popularização desse costume.
Nessa perspectiva, as disparidades financeiras na sociedade tornam a aquisição de livros pelos mais pobres uma prioridade secundária, visto que as necessidades básicas consomem, em muitos casos, toda sua renda. Nesse viés, durante o período colonial do Brasil, alguns hábitos eram restritos à elite econômica, como o da leitura, que demandava grande capital para a importação de impressos. Na contemporaneidade, entretanto, mesmo após séculos de avanços, verifica-se que o poder monetário ainda interfere no costume da leitura, já que o alto custo relativo dos livros aos mais pobres impede que esses possam apreciá-los, pois a alimentação e a moradia utilizam grande parte do obtido no trabalho, muitas vezes informal. Destarte, é incoerente que cenários de segregação colonial mantenham-se num país que almeja ser democrático e desenvolvido.
Ademais, a ausência, durante a história nacional, de uma verdadeira difusão popular da leitura colabora para que tal hábito ainda seja incipiente na atualidade. Nesse seguimento, durante o Iluminismo europeu, obras foram disseminadas por todos os estratos sociais, o que possibilitou, na Europa, a criação e a valorização do costume de ler. No Brasil, no entanto, a segregação educacional e a monetária - ocorridas desde a colonização - concentraram a leitura apenas nas camadas superiores da sociedade, de modo que tal cenário mantém-se na atualidade, o que impede a democratização dos livros. É equivocado, assim, que o Estado Democrático de Direito, que têm como base a educação, seja conivente com a segregação da maior fonte de conhecimento: os livros.
Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Educação promova a difusão da leitura nas escolas e nas famílias, a fim de que a concentração histórica desse costume seja mitigada. Isso poderia ser feito por meio de oficinas de divulgação de obras e pela criação de bibliotecas nas escolas, que permitiriam aos alunos levarem livros para suas casas, de modo a incluir a família no hábito de ler, num projeto denomidado ‘‘Leitura Presente’’. Por meio desse, poder-se-á, enfim, atingir a democratização dos impressos almejada por Gutenberg.