Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 14/10/2020
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “ Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada decisão: a postura de negligência governamental, além da manipulação social através das redes de comunicação sob a ótica da prática leitura, cujo valor é desprendido no século XXI. Diante dessa perspectiva, cabe analisar os fatores que contribuem esse quadro além de suas consequências. Vale ressaltar, a princípio, que a constituição cidadã de 1988 garante o direito a educação, e a leitura cumpre um papel indispensável para isso. Entretanto, no cotidiano esse direito não é usufruído completamente pela sociedade, haja vista altas cargas tributárias sobre o livro, uma vez que os governantes atendem aos anseios sociais, e grande parte da população não exige uma mudança nesse cenário por não necessitar. Essa conjuntura, consoante aos ideais do contratualista John Locke, configura-se uma violação do “ contrato social”, já que o Estado negligência a função de garantir que os cidadãos gozem dos direitos que estão previstos pela constituição, consequentemente, agravando as condições no que tange à prática leitora.
Além do mais, a internet cumpre um intrínseco papel como barreira na leitura hodiernamente. Nesse viés, no documentário “ Dilema das Redes”, é retratado a presença de algoritmos que manipulam os usuários , através de preferências e hábitos desses, com o intuito de manter o indivíduo conectado cada vez mais nas redes sociais. Desse modo, o ser ao estar imerso a esse panorama cumpre um papel de alienação social, vivendo na perspectiva das redes de comunicação, e gradativamente: desinteressando-se pela leitura. Contudo, uma mudança de valores sociais é fundamental para transpor barreiras a essa realidade.
Conforme informações supracitadas, ficam evidentes problemáticas ao que tange a prática da leitura no Brasil, sendo necessário intervenções. Logo, o STF deve, reajustar as taxas tributárias aos livros, por meio do redirecionamento dos impostos desse à outros produtos não essências, a fim de ampliar o acesso aos livros às classes sociais que não conseguem disfrutar deste. Outrossim, o Ministério da Educação deve, através de palestras escolares, mostrar a manipulação das redes de comunicação sob o indivíduo e seu prejuízo a prática leitora. Desse modo, tornará o Brasil mais desenvolvido socialmente, e criar um legado que Brás Cubas pudesse se orgulhar.