Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 14/10/2020

No livro 1984, escrito pelo autor George Orwell, é representada uma distopia, na qual os governantes utilizam da destruição de registros históricos e da queima de livros, com o objetivo de manipularem a população e, então, se perpetuarem no poder. Analogamente, a sociedade hodierna se mostra estar à mercê de impasses relacionados ao hábito da leitura, haja vista que tem-se um Estado negligente ao incentivo a essa prática tão importante para o desenvolvimento social. Ademais, verificam-se as mazelas das escolas - instituições fundamentais ao incentivo à leitura - ao não disporem dos meios adequados para realizar sua principal função, a de disciplinadora e formadora de indivíduos leitores.

Em primeiro plano, é fulcral destacar a negligência do Estado em estimular a leitura no país. De acordo com o filósofo iluminista John Locke, o Estado é responsável por garantir os direitos inalienáveis ao homem, tais quais a leitura e, consequentemente, torna-se o principal catalisador da debilitação dessa prática no Brasil. Diante do fato, percebe-se tal negligência ao analisar a proposta da reforma tributária, apresentada pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, que pretende tributar os livros, os quais recebem isenção fiscal, de modo que estes tornar-se-ão mais caros e ainda mais inacessíveis.

Outrossim, é imperativo pontuar a atuação das instituições de ensino como responsáveis pela problemática apresentada. Segundo o dramaturgo Bernard Shaw, ‘‘o progresso é impossível sem que haja mudanças’’ e, portanto, as escolas, como instrumentos de disciplina e fundamentais ao progresso social e educacional, devem receber mudanças em suas estruturas de ensino. Sob essa ótica, dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o INEP, comprovam que 55% das escolas brasileiras não possuem uma sala de leituras ou uma biblioteca, fato que contribui para a debilitação da prática da leitura no país e, dessa forma, exige mudanças no setor educacional.

Face a tais impasses, é de vital importância que se institua uma alteração nos sistemas educacionais, de forma a combater os entraves ao hábito da leitura no país. Para isso, urge que o Senado Federal, por meio da criação de uma lei que determine como obrigatoriedade às instituições de ensino a institucionalização de bibliotecas em suas infraestruturas, combata a escassez dessa prática no Brasil. Por conseguinte, essa lei deve conter as determinações do fornecimento de livros e de verbas destinadas ao estímulo da leitura por todas as escolas do país, ação que será executada pelo Ministério da Educação, de maneira a universalizar as bibliotecas no Brasil. Só assim, ter-se-á mudança estrutural das redes de ensino, de modo a engendrar o progresso utópico apresentado pelo literato Bernard Shaw.