Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 14/10/2020
“Livros não mudam o mundo, livros mudam pessoas, pessoas mudam o mundo.” Essa frase do educador Paulo Freire demonstra o papel crucial que a leitura tem na formação dos cidadãos e nas transformações positivas da Sociedade. No entanto, apesar da importância de se ler regularmente, uma grande parcela da população brasileira não tem acesso a livros, devido a seus altos preços e à ausência de medidas governamentais que visem a mudar essa realidade e tornar mais democrática essa essencial ferramenta de ensino e lazer.
Diante desse cenário, faz-se necessário enfatizar a enorme lacuna que se deixa na formação daqueles que não tem acesso à leitura, já que ela é indispensável para uma formação cidadã, haja visto as evidências de que a literatura pode moldar o caráter das pessoas para melhor. Um exemplo vem de um estudo publicado há alguns anos que media o grau de empatia e preconceito entre adolescentes que tinham e não tinham lido a saga “Harry Potter”. O resultado foi que os leitores das estórias de J.K. Rowling demonstravam ter mais repulsa a todos os tipos de preconceitos sociais, sendo esse um tema recorrente nas obras. Contudo, no Brasil, pouca importância é dada à questão do acesso universal á leitura. Muito pelo contrário, inclusive, em 2020, o Ministro da Economia propôs um aumento nos impostos em cima da venda de livros, alegando que estes eram produtos elitizados.
Há, ainda, outro empecilho no combate aos desafios para a prática da leitura no Brasil, que é alto índice de analfabetismo e analfabetismo funcional. Esse se define pela capacidade de leitura do indivíduo, porém, junto da incapacidade de interpretação do texto lido pelo próprio. Ou seja, a pessoa consegue ler, mas não consegue interpretar o que foi lido, isso desmotiva o leitor a continuar na empreitada de ler um livro até o fim, pois não se consegue assimilar o conteúdo nem se inserir na estória.
Logo, fica evidente a necessidade de uma ação governamental para amplificar o acesso à leitura e diminuir os analfabetismos no país. Algo eficaz seria a criação, pelo Ministério da Economia, de um “bolsa-livro”, ou seja, um vale compras mensal válido para a compra de livros em todas as livrarias, por meio de um projeito de lei que vise a implantar tal auxílio. Isso, aliado à criação de cursos de leitura para jovens adultos em horários não comerciais, visando o analfabetismo funcional, auxiliaria os cidadãos brasileiro à inserirem a prática da leitura no seu dia-a-dia.