Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 15/10/2020

A série Black Mirror, produzida pela Netflix, retrata, através de metáforas, mundos distópicos, onde em muitos deles, a tecnologia substitui metodologias arcaicas que geram conhecimento. Entretanto, diante da realidade se torna impossível conciliar formas saudáveis de absorção de sabedoria sem ter o contato com livros. Dessa forma, cabe ao momento explicar como a pseudodesnecessariedade de leitura causada pela globalização e a pandemia do desinteresse pelos livros reforçam os desafios para a prática de leitura no Brasil.

Nesse sentido, com a presença do ser humano na atual Quarta Revolução Industrial, uma busca incessante pela automatização tecnológica na busca da praticidade, está em vigor. Outrossim, essas transformações assolam o homem nas mais distintas vertentes, inclusive jovens. Em outras palavras, há uma substituição, no mundo estudantil, de uma leitura linear e contínua pelo hipertexto, onde devido à tecnologia, torna-se mais fácil e rápido pesquisar na internet do que em livros, de forma com que a leitura dinâmica, instituída por sites e blogs, tome o lugar das leituras que não possuem o apego tecnológico.

Além disso, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, representante da Modernidade Líquida, a partir da inclusão tecnológica mundial, a fugacidade das coisas passa a estar presente no cotidiano humano. Nesse contexto, para adolescentes, presentes na era virtual – marcada por jogos eletrônicos, celulares e internet – se torna dispensável a tão importante leitura, já que em meio a tantos passatempos, optar por ela está se tornando anormal. Do mesmo modo, para o site Edição Brasil, cerca de dois quintos da população brasileira não possui o hábito da leitura, reforçando que o meio técnico-científico-informacional, angariado no século XX e provocado por um maior interesse na rapidez, projeta seres propensos ao distanciamento da leitura.

Portanto, a fim de conectar a sociedade numa perspectiva futura com a leitura massiva de livros, medidas devem ser tomadas. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação, juntamente com suas secretarias midiáticas – reconhecidos como as maiores instâncias administrativas no que tange à divulgação da informação para jovens – realizem, por meio de propagandas nos canais abertos televisivos e palestras à escolas e faculdades públicas, um apelo informativo, principalmente para adolescentes, da importância do hábito de leitura, demonstrando que ela não deve ser substituída. Para que, a partir disso, crie-se uma valorização e consciência , para aqueles que formarão as próximas gerações, de que o hábito de portar livros tende a engrandecer o conhecimento. Feito isso, uma sociedade diferente da abordada por Bauman será reconhecida.