Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 15/10/2020
Anne Shirley, no livro clássico canadense “Anne de Green Gables”, é uma personagem que sempre lê e, por isso, fica perceptível na obra como esse ato adiciona crescimento não só no vocabulário dela, como também no intelecto. Paralelamente ao romance, a leitura oferece inúmeros benefícios ao desenvolvimento cidadão, no entanto, o Brasil enfrenta desafios para a efetivação dessa ação, o que acaba por aprisionar os brasileiros em uma bolha na qual o aprendizado não é plenamente realizado. Acerca disso, a passividade governamental e a ausência de conhecimento sobre o tema são fatores que aumentam a problemática. Dessa forma, há necessidade de medidas que solucionem o problema.
Convém ressaltar, a princípio, que a passividade governamental implica diretamente o imbróglio. Nesse sentido, parafraseando o filósofo, John Locke, um dos propósitos fundamentais do Estado é a busca pelo bem público. Entretanto, nota-se que esse buscar não é feito com vigor no país, à medida em que é evidente a carência de bibliotecas públicas e a pequena quantidade de livros nas escolas públicas, além da escassez de projetos educacionais os quais busquem incentivar o hábito da leitura, especialmente, nos pequenos. Dessa forma, tal lamentável cenário de descaso contribui continuamente para com uma pior educação intelectual e cidadã.
Outrossim, vale salientar que a ausência de conhecimento sobre o tema corrobora o infortúnio, haja vista que, muitas pessoas desconhecem o dever e o poder da leitura no desenvolver da cidadania. Sob esse viés, o hodierno quadro pode ser comparado a alegoria da caverna, do filósofo, Platão, a qual afirmava como o conhecer liberta e leva luz ao cidadão. De igual maneira, muitos ainda não possuem o saber no que tange à leitura, desse modo, inúmeros adultos não leem e não incentivam os menores a ler, criando, assim, um ciclo em que as futuras gerações carecem de plenas habilidades que podem ser adquiridas com a prática da leitura, como a criticidade e o aprendizado.
Dessarte, visando a uma sociedade mais justa, é mister superar os desafios da inércia governamental, bem como da demorada conscientização. Logo, faz-se necessário que o Ministério da Educação promova investimentos eficientes, principalmente nas áreas periféricas, que são as quais mais sofrem com o descaso, mediante a construção de bibliotecas públicas, da aquisição de livros para os ambientes escolares, além de promover debates educativos nas escolas utilizando livros clássicos e artigos acadêmicos, visando incentivar e democratizar o acesso literário a todos. Urge também ao Ministério da Cidadania, estimular uma reeducação a qual debata sobre a relevância do hábito da leitura na vida de cada indivíduo. Poder-se-á, assim, construir um futuro mais cidadão e cheio de saber no Brasil.