Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 22/12/2020

Em “A menina que roubava livros”, a protagonista é uma jovem alemã que encontra na leitura uma forma de fugir da dura realidade instaurada no final do século XX, com o nazismo. Sob esse viés, os livros possibilitam viagens no tempo e visitações a diversas regiões de forma imaginária e fascinante. Desse modo, a leitura é uma rica maneira de se adquirir conhecimentos e de estimular a criatividade, mas é pouco praticada pelos brasileiros. Logo, o hábito de ler não faz parte da realidade da população brasileira, por fatores como a falta de incentivo na infância e desigualdades socioeconômicas.

Dado o exposto, a leitura é essencial na formação cognitiva dos indivíduos, de tal modo que contribui para o raciocínio, a imaginação, o diálogo e outras capacidades intelectuais, o que evidencia a necessidade da haver estímulo para o hábito desde a infância. Todavia, no caso do Brasil, a maioria das crianças tem pouco ou nenhum contato com livros em casa e não enxergam nos pais qualquer exemplo no cotidiano. Nesse sentindo, formam-se adultos que também não terão o costume de ler, o que pode comprometer o desempenho no mercado de trabalho, à medida que não têm a criatividade, a oralidade ou a capacidade interpretativa desenvolvidas.

Ademais, questões socioeconômicas são significativas para a existência do reduzido número de leitores brasileiros, uma vez que adquirir livros, muitas vezes, requer determinado investimento. Tal cenário já era recorrente nos séculos passados, exemplo disso é o período colonial no Brasil, em que apenas pessoas com certo poder aquisitivo, principalmente os proprietários de terra e seus herdeiros, eram alfabetizados. Nesse âmbito, parcela da população analfabeta ou analfabeta estrutural se torna refém dos que detêm conhecimento e hábito de leitura, visto que estes são capazes de manipular, por exemplo, contratos e acordos priorizando seus interesses, como ocorreu em Roma até a formulação da Lei das 12 Tábuas. Isto evidencia a necessidade de construir uma sociedade leitora e com igualdade social e política.

Portanto, é dever do Ministério da Educação incentivar a leitura por meio da construção de bibliotecas nas instituições de ensino público, mediante recursos federativos, e da obrigatoriedade da implantação de paradidáticos nas escolas, com leitura obrigatória dos alunos ou dos professores, desde o ensino básico, com o objetivo de formar cidadãos leitores e intelectualmente desenvolvidos. Outrossim, o Ministério Público deve reduzir os impostos sobre os livros, por meio de acordos e decretos de lei, a fim de baixar os preços, permitindo um melhor acesso à leitura pelas camadas populares. Assim, surgirá uma comunidade que reconhecerá a importância de ler, como Liese de “A menina que roubava livros”, o que contribuirá para a formação de uma sociedade igualitária.