Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 15/10/2020

Segundo o artigo 205 da Constituição Federal, a educação é um direito de todos, e deve ser promovida e incentivada pelo Estado, com a colaboração da sociedade. Contudo, os desafios para desenvolver a prática da leitura no Brasil escancaram que há falhas nesse sistema. Certamente, a elitização do conhecimento e o fator cultural garantem a manutenção dessa problemática, tornando necessária a tomada de medidas que resolvam o impasse.

Em primeira análise, é evidente que as desigualdades sociais agravam as perspectivas de ensino e leitura no país. Para os filósofos Frankfutianos, a indústria apossou-se da cultura para transformá-la em mercadoria e assim obter lucros. Tal perspectiva comprova-se a partir de dados expostos pelo Instituto Pró-Livro, no qual são reveladas as estatísticas de que os brasileiros tem acesso, em média, a 1 livro por ao. Sob esse aspecto, é possível afirmar que nem todos os cidadãos tem acesso a livros, reforçando assim o monopólio do saber e também as mazelas sociais.

Além disso, a falta de hábito de leitura é uma marca social. De acordo com a Teoria da Psicologia Genética, de Piaget, para que o indivíduo se desenvolva, é necessária a mediação de um agente, representado na maioria das vezes pelos pais e educadores. Entretanto, essa característica é pouco presente na cultura brasileira como afirma Drummond: “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade não sente essa sede”. Nesse sentido, para garantir a formação de leitores, é preciso que haja incentivo e uma mudança de costumes.

Depreende-se, portanto, a urgência de romper com esses desafios. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação pode criar bibliotecas comunitárias em áreas periféricas e com maior carência de recursos literários. Essa ação pode ser garantida a partir de uma parceria com editoras, oferecendo incentivos fiscais parar àquelas que doarem livros com pequenos defeitos que seriam descartados. Com essa medida, poder-se-ia romper com o monopólio cultural e incentivar o hábito da leitura.