Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 15/10/2020
No século XXI, com a massificação dos aparelhos digitais, as pessoas passaram a ter o acesso facilitado a qualquer tipo de conteúdo. Nesse sentido, é notável que essa massificação informacional introduziu, na vida dos indivíduos, um novo modo de se ler os textos, que é aquele em que a pessoa só se atém em ler o trecho que lhe interessa na obra. Como consequência disso, diversos problemas acabam se expressando na sociedade, como, por exemplo, o da diminuição do aproveitamento e da profundidade nos momentos de leitura.
Nesses termos, vale a realização de uma análise acerca dos novos modos de leitura. Na atualidade, seja nas escolas quanto nos sites virtuais se tornou comum a divulgação dos chamados fragmentos de textos, estes que induzem aos seus leitores a pensarem que estão, de fato, conhecendo a integralidade dos livros que os deram origem. Esse cenário, aliado a falta de estímulos à leitura presente no Brasil, acaba diminuindo os graus de conhecimentos literários da população. Como prova disso, tem-se dados do Instituto Pró-Livro que mostram que o brasileiro lê apenas 2,43 livros inteiros por ano.
Sobreditas algumas das partes que compõem a temática abordada, vale, ainda, mencionar a questão do analfabetismo funcional no Brasil. De acordo com uma pesquisa do Banco Mundial, o Brasil levará mais de um século para atingir os mesmos níveis de aproveitamento em leitura dos países desenvolvidos. O dado mencionado demonstra, por si só, que há uma grande deficiência no aprendizado e inserção da população no hábito da leitura interpretativa, isso é, no desenvolvimento da habilidade de ler um texto e compreendê-lo em seu total sentido.
Sendo assim, é evidente que existem muitos desafios no que tange à relação dos brasileiros com a prática da leitura profícua. Por isso, faz-se necessária a ação governamental para sanar tais impasses. Portanto, urge que o Governo Federal crie programas de incentivos à leitura de livros, fazendo mais bibliotecas públicas pelo país e disponibilizando uma maior gama de estilos literários para os estudantes nas escolas. Com isso, as pessoas teriam mais acesso às obras completas e seriam mais instigadas a lerem aquilo que lhes apetecem. Ademais, é mister que o Ministério da Educação desenvolva, no Plano Nacional de Educação, a realização de momentos específicos à leitura nos horários de aula do ensino básico, pois, fazendo-se isso, os estudantes iriam se familiarizar melhor com os livros ao longo de suas vidas, o que reduziria os índices de analfabetismo funcional na fase adulta.