Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 16/10/2020
De acordo com filósofo Imannuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Nessa máxima, é perceptível a importância dessa ferramenta para o crescimento intelectual dos indivíduos, no qual ele só pode ser alcançado por meio do hábito de leitura. Nesse aspecto, é válido analisar os desafios a serem superados no que diz respeito ao desenvolvimento de estimulo à leitura pelas escolas e a dificuldade de interpretação de texto.
Em primeira análise, a ausência de incentivo a prática da leitura pelos educadores no ambiente escolar é uma problemática que precisa ser discutida. Isso porque ao longo da vida acadêmica, os indivíduos são direcionados apenas para a aprendizagem conteudista, em que a leitura se torna cansativa e repetitiva. Essa situação dialoga com a ideia de “Menoridade Intelectual” do filósofo Kant, na qual a autonomia intelectual e o senso crítico podem ser afetados pela falta de uma leitura diversificada e aprofundada no cotidiano, o que revela a importância dessa ferramenta para a expansão do conhecimento de mundo das crianças e dos jovens. Dessa forma, é preciso que a escola em conjunto com os pais estimulem, desde cedo, os indivíduos a lerem para desconstruir a visão negativa da leitura como monótona e desinteressante.
Além disso, a complexidade em interpretar um texto é um desafio na área da leitura que também precisa ser superado pela população. Isso ocorre porque muitos indivíduos não conseguem ler e interpretar livros de forma clara, devido a carência do hábito de ler na escola e em casa. Tal fato se reflete na crítica do educador Paulo Freire ao sistema de ensino tradicional, na qual ele defende que os estudantes se transformaram em repetidores de informações, pois não adquiriram um mecanismo de leitura engajada e atenciosa e, por esse motivo, muitos se sentem incapazes ler um texto extenso e de uma linguagem mais elaborada. Diante disso, é preciso que os métodos de leitura na escola sejam inovados, para que o desenvolvimento cognitivo e pessoal dos jovens sejam mais efetivos.
Fica evidente, portanto, a necessidade de reverter esse quadro mediante políticas educativas. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com os professores, inserir nas grades curriculares de ensino aulas especificas e obrigatórias de interpretação de textos literários e jornalísticos sem um conteúdo disciplinar envolvido, a fim de que a dificuldade de ler e interpretar sejam superadas e se torne mais prazerosa. Ademais, seria interessante que esse órgão implante bibliotecas nas comunidades e ofereçam uma gratificação por cada livro lido, como forma de incentivo à leitura para a população. E, com essas medidas, pode-se superar os desafios do hábito de ler e tornar a educação inovadora como supõe Paulo Freire.