Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 28/08/2021

Conhecida como `` Cidadã´´, por ter sido concebida durante o processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos dos cidadãos. Todavia, diante do cenário exposto pelos desafios para a prática da leitura no Brasil, nota-se que os ideais presentes na Carta Magna não estão sendo realmente aplicados. Nessa lógica, cabe ressaltar a falta de investimentos, aliada à priorização de interesses financeiros como causas dessa vicissitude.

A princípio é conspícuo que a escassez de investimentos configura-se como uma lacuna à consolidação de uma solução. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimento no Brasil, somando setores públicos e privados, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. Sob tal ótica, essa falta de apoio impede que os brasileiros pratiquem a leitura, haja vista que, além de o Governo não disponibilizar bibliotecas públicas para toda a população, a maioria não usufrui de capital suficiente para comprar um livro.

Ademais, outro ponto relevante, nessa temática, é a priorização de interesses financeiros. Nesse viés, Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, cunhou o conceito de Indústria Cultural para criticar a desvalorização da arte no contexto do capitalismo cultural. Diante dessa perspectiva, problemas como a falta de incentivo à leitura florescem em virtude da supremacia de desejos capitalistas, que acabam por ganhar grandes proporções. Assim, tem-se a objetificação de sujeitos e de práticas sociais como consequência, o que agrava o impasse supracitado.

Em suma, com o intuito de amenizar a situação atual e favorecer a prática da leitura entre os cidadãos, cabe ao Poder Público - mantenedor das leis, do bem-estar social e do progresso civilizatório - desenvolver, por meio de verbas governamentais, projetos de construção de bibliotecas públicas nas regiões necessitadas do país, bem como a disponibilização de livros gratuitos. Dessarte, almejar-se-ia um Brasil mais igualitário e justo, no qual os ideais da Constituição estariam sendo, de fato, aplicados.