Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 16/10/2020
Na distopia de Ray Bradbury, ‘‘Fahrenheit 451’’, retrata-se um regime totalitário, em que toda forma de conhecimento-livros- era deliberadamente proibido pelo Estado, levando a alienação da população, e, conjuntamente, ao fortalecimento do governo vigente. Nesse sentido, a narrativa foca na função social do livro, e em sua importância para toda a sociedade, a ponto de ameaçar um regime através do poder provindo das palavras. Desse modo, percebe-se como o hábito da leitura é imprescindível às massas, entretanto , fora da ficção, o cenário não é muito diferente, pois, os preços elevados dificultam o acesso a literatura, além da falta de estímulo no âmbito escolar e a falta de tempo no ambiente familiar, corroborando com o baixo estímulo e com a dificuldade da prática de leitura no Brasil.
Em primeiro plano, destaca-se a alta dos preços dos manuscritos, em que substancial parcela da população não possui acesso -ou quase nenhum- para adquiri-los. Adicionalmente, com o atual projeto de reforma tributária do governo federal, em que prevê taxação de 12% em relação ao preço atual do livro. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o homem sempre possui possibilidade de escolha, mas, quando a predileção se direciona para o mal, acaba prejudicando a si mesmo, assim como tal repudiada reforma, que ocasionará em um índice ainda maior de não leitores, contribuindo com a desigualdade social e a negligência perante a arte e a cultura-já negligenciadas-.
Por conseguinte, tal cenário de falta de acesso as obras, contribui com a perca de sua função social, que deveria levar conhecimento, ampliar a capacidade cognitiva e aumentar o senso de criticidade das massas. Ademais, para que o país possua uma educação transformadora, que liberte e amplie os horizontes dos indivíduos, é necessário que se passe pelo caminho da leitura. Todavia, na prática, tal utópico cenário não se aplica, principalmente devido ao método arcaico das instituições de ensino, que apenas requerem boas notas, subjugando a imaginação e a curiosidade dos alunos, além da falta de estímulo no nicho familiar, devido a constante falta de tempo no atual período globalizado, contribuindo maiormente para o degradante cenário atual da perca do hábito da leitura.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população acerca da prática da leitura , urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) invista em projetos a fim de mitigar o atual quadro de desigualdade social com a difusão e a democratização do acesso ao conhecimento para todos, por meio da construção de bibliotecas públicas nas zonas periféricas, buscando a igualdade e o empoderamento entre os cidadãos. Somente assim, será possível combater a alienação e fortalecer a sociedade como um todo, que, de acordo com ‘‘Fahrenheit’’, não há nada como o impacto de um livro.