Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/10/2020

Em sua música “Estudo Errado” Gabriel, O Pensador, critica um ensino ineficaz, em que o aluno frequenta a escola, mas não adquire afeição pelo aprendizado. Assim como na música, o Brasil sofre com a falta de apreço dos discentes com o engajamento literário. Esse panorama ocorre devido à persistência dos moldes escolares tradicionais e ao fraco poder político dos alunos no âmbito educacional.

É relevante abordar, primeiramente, que o ensino mecanizado e obsoleto contribui para a difícil formação de leitores no hodierno contexto brasileiro. O filme " A Sociedade dos Poetas Mortos" aponta um modelo ideal de profissional que estimula a autonomia dos alunos na busca pelo saber. Entretanto, fora da ficção, tais profissionais caracterizam-se como uma utopia, visto que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) exige que os professores cobrem dos alunos a leitura de obras clássicas, as quais, por serem antigas, possuem uma linguagem rebuscada e não usual nos dias atuais, o que torna, além de forçada, uma leitura maçante.

Ademais, vale ressaltar que o estímulo à formação crítica dos alunos corrobora para a consolidação dessa problemática. A “Alegoria da Caverna” do filósofo Platão retrata homens que vivem acorrentados em uma morada subterrânea, a qual, em função da ausência de luz, representa a ignorância dos aprisionados diante do conhecimento que o mundo exterior à caverna poderia oferecê-los. Paralelo a isso, os jovens brasileiros sofrem ao conviverem com uma escola que não dialoga com as necessidades do corpo estudantil. Dessa maneira, os estudantes permanecem “acorrentados” à ideia de que a leitura limita-se a uma obrigação letiva. Sob essa ótica, torna-se cada vez mais difícil a formação de leitores proficientes, dessa maneira, neutralizando a criticidade dos discentes.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação-órgão responsável por formular e avaliar a política nacional de educação- deve reformular a grade curricular das instituições de ensino, através da flexibilização dos conteúdos literários obrigatórios e da abertura de espaço para os livros mais atuais com o intuito de formar cidadãos leitores, garantindo, assim, um efetivo engajamento juvenil na leitura. Outrossim, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com a Mídia, a criação de mecanismos que busquem alertar a sociedade sobre a importância da leitura, através de programas televisivos e merchandisings sociais  a fim de assegurar o prazer pelos livros. Desse modo, será possível reverter a situação de “Estudo Errado” a qual se referiu Gabriel, O Pensador.