Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/10/2020

O período compreendido como Iluminismo, ocorrido entre os séculos XVII e XVIII, foi um movimento cultural que influenciou diretamente no desenvolvimento intelectual dos indivíduos da época -com a busca pela informação em livros, artigos e etc. De maneira análoga, na contemporaneidade, é possível observar que, apesar do conhecimento geral acerca da importância da leitura para a evolução cerebral humana, ela ainda apresenta, no Brasil, políticas de incentivo insuficientes. Nesse sentido, tanto a importância dada à leitura pelos pais, quanto problemas sociopolíticos são impasses para a questão.

Em primeira instância, vale salientar a interferência da própria população nesse contexto. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a construção da nossa personalidade se dá pela troca de ideias com outros seres, estabelecidas pela conversação. Sob tal lógica, é inferível que o comportamento expressado por uma sociedade tem como fator principal as experiências socioeducacionais recebidas na infância dos indivíduos, sendo ela determinada pelas primeiras instituições de convívio social -família e escola. Assim sendo, quando não há, dentro do ambiente familiar, o estímulo dos pais ou responsáveis à pratica da leitura desde cedo, a conduta educacional do jovem é afetada como um todo. Tendo em vista que o contato com os livros proporciona o amadurecimento de questões interpretativas do sujeito, a compreensão sobre as diferentes culturas e raças, a ampliação das visões de mundo, entre outros.

Outrossim, a corroboração da circunstância se deve às desigualdades presentes. Desde o período colonial do Brasil era perceptível a grande discrepância dos direitos ao acesso educacional, já que nessa época apenas a nobreza tinha acesso à leitura e educação, sendo os escravos proibidos de aprender a ler e a escrever. Da mesma maneira, em pleno século XXI, é possível perceber que, com o acesso restrito de benefícios, como uma educação de qualidade, às camadas média e alta da sociedade, essa ainda é uma realidade do país. Isso pode ser comprovado pela pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2017, apontando a existência de 11,5 milhões de analfabetos entre pessoas com mais de 15 anos. Dessa forma, as divergências de direitos afetam toda a nação, e impedem que muitos criem o hábito da leitura, por exemplo.

Diante do exposto, portanto, é imprescindível trabalhar, no Brasil, os desafios para a prática da leitura. Em conjunto com o Ministério da Educação, as escolas devem elaborar projetos, mediante aulas contextualizadas e fóruns de discussões -envolvendo alunos e pais- sobre a importância leitura no ambiente familiar, sendo essa pratica reforçada nos institutos escolares, a fim de educar e construir jovens mais analíticos. Além disso, cabe à Receita Federal destinar uma parte dos impostos recolhidos para a obtenção de livros para as bibliotecas públicas de todas as cidades.