Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/10/2020

Na série canadense “Anne with an E”, em diversos momentos, é retratado o valor da leitura para a protagonista, tanto como refúgio à sua realidade, como suporte ao imaginário e intelectual, dando capacidade de comunicação e desenvoltura a ela. Fora da ficção, a leitura é de fundamental importância para o desenvolvimento individual e social dos seres humanos. No Brasil, no entanto, a prática desta se mostra um grande desafio no que tange ao incentivo familiar e escolar e também à falta de suporte e apoio governamental no investimento nesse sentido. Cabe, então, destacar os desafios e uma possível solução para o entrave.

Primeiramente, a influência familiar e escolar tem um relevante peso no desenvolvimento do hábito da leitura. Segundo Émile Durkheim, sociólogo defensor da socialização com base em instituições sociais, estas como família e escola, defende-as como primordiais para o conhecimento de regras por parte do indivíduo. Com isso, se a apreciação literária for colocada como prioridade e regra por essas instituições a prática da leitura será, desde a primeira infância, um hábito e prática constante. E, dado o benefício da leitura para a formação intelectual e de comunicação, tal fato já deveria ser algo inserido nas normas sociais.

O apreço ao ato de ler, no entanto, não é algo evidente na sociedade brasileira, configurando, além do já citado, outros desafios. A falta de capacidade de interpretação e incentivo escolar à leitura podem ser citados como os principais. O compartilhamento de informações falsas e o número alto de golpes  em sites sofridos por brasileiros são provas disto. Característica que ilustra a necessidade de uma maior atenção e investimento, para não só evitar essas armadilhas, como também, assim como Anne, incentivar a população brasileira a explorar os efeitos positivos da leitura como prática constante.

Impende, portanto, a necessidade de uma atitude governamental para intervir no problema. Cabe ao Ministério da Educação, por meio de verbas destinadas à educação, e em parceria com editoras e livrarias, disponibilizar para todas as escolas públicas novos acervos de livros, incluindo os de literatura brasileira, somado à inserção da disciplina de leitura e interpretação de texto na grade curricular dos ensinos fundamental e médio. Afim de incentivar e consolidar o ato de ler e interpretar o texto, sanando as principais dificuldades enfrentadas para se ter uma prática de leitura efetiva no país. Dando, assim, oportunidades para que, crianças e adultos, explorem a imaginação e tenham uma formação intelectual plena, da mesma forma que Anne teve.