Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/10/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto no clássico literário “O triste fim de Policarpo Quaresma” sempre teve como característica marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico onde os cidadãos, por meio da leitura, saíam de sua minoridade intelectual. Entretanto, a falta do hábito de leitura da população brasileira torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela negligência governamental, seja pela falta de influência dos pais, o “déficit” na prática da leitura persiste como um problema no país, o que exige reflexão urgente.

Em primeira análise, o descaso estatal mostra-se um desafio para resolução do problema, uma vez que as escolas públicas brasileiras, além de contarem com um sistema de ensino deficitário, também possuem bibliotecas negligenciadas, as quais, na sua maioria, contam apenas com livros antigos e de pouco interesse dos alunos que buscam nos livros uma opção de lazer. Consoante a isso, faz-se mister que o Estado invista minimamente na manutenção das bibliotecas de escolas públicas.

Além disso, também vale ressaltar que “a influência dos pais governa a criança”. Segundo Freud- pai da psicanálise- o comportamento dos pais, observado pela criança desde a infância, influencia seus hábitos por toda vida; Tornando evidente a necessidade da influência familiar para que um indivíduo adquira o hábito de ler. Contudo, devido a falta de conhecimento sobre a importância da literatura, os pais a negligenciam, não leem, e consequentemente, não influenciam seus filhos a isso.

Portanto, o aumento da prática da leitura no Brasil, apresenta barreiras preocupantes. Para amenizar o cenário atual urge que o Estado invista por meio de verbas governamentais, na manutenção e compra de novos livros para as bibliotecas das escolas municipais e estaduais, a fim de que as crianças e jovens encontrem ali uma verdadeira opção de lazer e entretenimento. E ainda, cabe a mídia e as prefeituras municipais, a realização de campanhas que conscientizem a população- em especial, pais e mães- sobre os benefícios educacionais que o hábito da leitura trás para as crianças e adultos, por meio de de comerciais nas redes televisivas e palestras realizadas nos municípios. Espera-se com isso, que o número de leitores no país aumente. Somente assim, nos aproximaremos do país utópico idealizado por Policarpo.