Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 18/10/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira garante a educação como direito pleno a todos os cidadãos. A realidade, porém, não é bem essa: de acordo com o Instituto Pró Livro, 44% dos brasileiros não possuem o hábito de leitura, tornando essa uma das problemáticas do país que devem ser combatidas. Um dos principais motivos para essa infeliz realidade é o alto preço dos livros nas livrarias, juntamente com o baixo estímulo que o brasileiro possui para se ter o hábito da leitura.
Em primeiro lugar, deve-se apontar o conceito de indústria cultural citado na obra “A Dialética do Esclarecimento” dos filósofos alemães Adorno e Horkheimer. A mercantilização da cultura cria padrões e estereótipos que agradam a maioria das pessoas e excluem obras que estimulem o intelecto ou o senso crítico, gênero culturalmente conhecido como “besteirol”. Como consequência, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), 51% dos alunos estão abaixo do nível 2 em leitura. Isso cria um perigoso contraste em que o padrão de vida do indivíduo e o que a sociedade o oferece se afasta cada vez mais do que é bom educacionalmente para ele. Afinal, o homem não é nada além do que a educação faz dele, dizia Immanuel Kant, filósofo iluminista.
Ademais, de acordo com o economista britânico Sir Arthur Lewis, a educação nunca foi uma despesa, mas um investimento com retorno garantido. Mas é preciso salientar que, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), metade dos brasileiros vivem com menos de quinze reais por dia, o que dificulta a aquisição de um livro quando, na realidade, parte dos indivíduos mal tem o que comer. Essa questão se torna séria pois, quem tem condições financeiras para obter livros não tem o estímulo necessário e a parcela mais pobre da população, além da falta de capital, também sofre com a falta de fomento.
Para concluir, é analisado que medidas se fazem necessárias para a resolução da falta de leitura no Brasil. Faz-se mister que o Ministério da Cultura crie projetos em que livros famosos como “O Código da Vinci” sejam doados em grande escala em pontos de grande popularidade nas ruas do país. O conteúdo dos livros variariam para atender a grande parcela dos indivíduos e ficariam expostos em estantres nas calçadas. Além disso, é necessário que o Ministério da Economia crie um “cartão livro”, com subsídios de duzentos reais disponível para a população mais pobre como incentivo à leitura. Esse cartão seria criado de forma gratuita mediante apresentação de documento de identificação e um comprovante de renda e teria validade apenas em livrarias adeptas ao projeto. Dessa forma, caminhos seriam abertos para a prática de leitura no Brasil.