Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 18/10/2020
Ao afirmar, “um povo que lê nunca será um povo escravo”, o escritor e psiquiatra português António Lobo Antunes faz, de certo modo, uma alusão à importância da leitura na vida de cada cidadão. De fato, ele estava certo, pois a prática da leitura permite que as pessoas desenvolvam o senso crítico e a sagacidade. Além disso, durante o Brasil colonial, Portugal privou a população brasileira de ter acesso à educação, justamente, para o povo não ter a capacidade de desenvolver o senso crítico e querer lutar por liberdade. Nesse sentido, hodiernamente, as dificuldades ainda existem, seja pela desvalorização da leitura nas escolas, seja pela desigualdade social.
Deve-se destacar, de início, a desvalorização da leitura nas escolas como um dos complicadores do problema. Nesse viés, no Brasil, a maioria das escolas não possuem bibliotecas, o que dificulta a prática de leitura entre os estudantes e aumenta, consequentemente, o analfabetismo funcional, que consiste na incapacidade de compreender textos simples. Sob essa ótica, a presença das bibliotecas nas escolas é essencial, pois os livros contribuem para para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e aprimora a interpretação. Dessa forma, esse contexto se assemelha com a afirmação de Joseph Addison, “A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo”.
Outrossim, vale ressaltar que a situação é corroborada pela desigualdade social. Sendo assim, no Brasil, o problema da desigualdade social afeta grande parte dos brasileiros, pois uma parcela considerável da sociedade é carente e não possuem recursos financeiros para obter um bom ensino e, consequentemente, para desfrutar dos livros. Nessa perspectiva, essa diferença econômica possibilitou, de certa forma, a falta do hábito de leitura no País, pois, essas pessoas carentes não possuem condições de possuir livros, logo, torna a prática da leitura um desafio.
Em suma, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura, em parceria com o Conselho Nacional de Educação instale, por meio de políticas públicas, bibliotecas nas escola, a fim de garantir que os estudantes tenham acesso aos livros e assim, possam desenvolver sua imaginação e criticidade. Ademais, é necessário, também, a instalação de bibliotecas públicas em todas as cidades, a fim de garantir que a população possa desfrutar dos livros com mais facilidade. Portanto, com tais implementações, a prática de leitura deixará de ser um desafio e assim, os problemas mencionados serão uma mazela passada na História brasileira, pois tais medidas visam combater o empasse de forma precisa e democrática. Logo, de acordo com o filósofo chinês Confúcio, " não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros".