Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/10/2020
Segundo o sociólogo britânico Thomas H. Marshall, a plena cidadania só é estabelecida quando os direitos civis, sociais e políticos são assegurados. Entretanto, a realidade brasileira é distinta da proposta, visto que vários indivíduos tem o direito a cultura, por meio da leitura de obras, restringido, seja por motivos políticos, seja por motivos econômicos. Logo, é necessário discutir sobre os obstáculos para o hábito da leitura no país, de forma a pontuar a negligência do Estado e da desigualdade social.
A princípio, é importante ressaltar o descaso do poder público diante do incentivo a prática da leitura. Assim, a obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, do português José Saramago, ressalva: ‘‘Penso que cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que vendo, não veem’’. Sob tal perspectiva, o Estado se omite frente ao direito cultural negado, não propõe projetos educacionais com obras e não administra campanhas para instigar o hábito transformante nos cidadãos. Dessa forma, enquanto o governo for ‘‘cego’’, a cidadania será uma realidade distante de invidíduos ignorantes.
Ademais, a disparidade econômica também reflete na questão da prática da leitura no Brasil. Isto posto, consoante ao escritor Ariano Suassuna, existem dois Brasis, um dos privilegiados e outro dos necessitados. Visto assim, a classe proletária é limitada do acesso a livros e obras, uma vez que o preço é inviável ao seu orçamento e que o hábito não é difundido em seu meio pelo Estado, devido ao abandono dessa população pelo governo. Desse modo, a oportunidade de transformação pela leitura deve alcançar todas as ordens econômicas, sem qualquer distinção.
Portanto, discutidos os desafios da prática a interpretação de obras no Brasil pelos meios políticos e sociais, cabe agora ao Estado e seus órgãos mitigar essa situação. Por isso, urge à Secretária da Cultura - órgão responsável por acessibilizar a cultura no país -, a obrigação de intervir na prática a leitura dos brasileiros e democratizar a insersão, por meio de projetos culturais nas instituições de ensino, de propagandas reforçando a transformação da prática e da construção de bibliotecas públicas - principalmente em regiões periféricas -, a fim de incentivar o hábito revolucionário no país e estabelecer a plena cidadania de Marshall.