Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/10/2020
Um dos principais marcos na evolução histórica do mundo foi o desenvolvimento do código escrito que caracterizou o início da Idade Antiga. Nessa lógica, paralelamente a esse novo sistema de registro, a leitura dos símbolos da escrita fez-se essencial para a construção do homem moderno. No Brasil, entretanto, a virtualização dos livros e a forma limitada com que o ato de ler é abordado têm imposto desafios para a prática da leitura. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de amenizar os entraves que uma das práticas essenciais para o avanço da humanidade tem tido para se manter na sociedade brasileira.
Inicialmente, é importante verificar o principal impacto que a virtualização de livros provoca na prática de leitura dos cidadãos brasileiros. Nesse contexto, de forma paralela aos livros abertos em formato virtual, várias outras aplicações, como redes sociais - Instagram e Facebook -, costumam ser utilizadas. À vista disso, levando em conta que os algoritmos presentes nessas redes são desenvolvidos com a finalidade de prender a atenção do usuário, o material a ser lido acaba não tendo total atenção do leitor e o conteúdo é absorvido de forma rasa. Desse modo, é lamentável que, no Brasil, não haja incentivo para obtenção de livros físicos e o processo de leitura tenha que ser disputado com redes sociais.
Ao mesmo tempo, vale também ressaltar o efeito que a forma limitada com que o ato de ler é abordado no Brasil. Nessa conjuntura, a população brasileira, desde muito jovem, depara-se com a leitura, quase que exclusivamente, para fins de avaliação - prova escolar e Exame Nacional do Ensino Médio(ENEM) - e acaba por não conhecer essa experiência como uma forma de prazer e diversão. Sob essa perspectiva, o maior país da América Latina constrói sua população associando a leitura, em geral, a processos que se afastam do lazer e da sensação de bem-estar. Dessa forma, é lastimável que o povo tenha experiências restritas com a leitura por conta do sistema de avaliação educacional.
Nota-se, portanto, o quão danosa a virtualização dos livros e a forma limitada com que o ato de ler é abordado são para a prática da leitura no Brasil. Assim, cabe ao Governo Federal construir um ambiente ideal para o aumento da leitura no país. Isso pode ser feito por meio do incentivo ao consumo de livros físicos, ao financiar uma parte da produção dos exemplares deixando esses mais baratos para o consumidor final, e à leitura recreativa, ao desenvolver propagandas que explicitem a leitura como forma de lazer e desvinculem, em partes, o ato de ler das avaliações do processo educacional. Espera-se, dessa maneira, que a prática que marcou o início da Idade Antiga tenha mais facilidade para se difundir na população brasileira sem precisar competir com redes sociais e as avaliações não sejam mais os principais precursores da leitura do país.