Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/10/2020
Sir Elton Hercules John, talvez o pianista mais famoso da atualidade, começou a praticar o instrumento aos três anos de idade e teve a oportunidade de estudar na renomada instituição de ensino “Royal Academy of Music”. Em contraste a isso, grande parte dos jovens brasileiros não tem acesso nem mesmo à escolaridade, o que exemplifica um desafio para a módica pratica de leitura no Brasil. Ademais, economia precária e falta de vontade política agravam esse fato.
Em síntese, a pobreza e a indisposição política em combatê-la são os principais motivos para que o hábito de leitura não seja acessível a muitos brasileiros. Seguramente, as 13,2 milhões de pessoas - segundo nota do Ministério da Cidadania, de 2019 - em estado de miséria, não são capazes de adquirir um livro que, conforme ao “G1”, custa em média dezenove reais. Portanto, fica claro que o descaso governamental quanto à economia é o principal obstáculo aos possíveis leitores.
Ao mesmo tempo, o padrão de vida devoto ao trabalho que nossa sociedade possui, isto é, ter sua sua ocupação profissional como condição para sentir-se realizado, limita o tempo dedicado à leitura por considerá-la não essencial. No entanto, pesquisadores como o psicólogo Herbert Freudenberger, conhecem as complicações resultantes dessa rotina desde 1974, descritas como “Síndrome de Burnout”. Tal síndrome consiste em distúrbios mentais e fisiológicos subsequentes à exaustão profissional. Sendo assim, desconstruir o nocivo molde laboral da sociedade favoreceria muitos hábitos sadios, que demandam sossego, como a leitura.
Nesse sentido, decerto a falta de oportunidade e o modelo social focado no trabalho, são os principais desafios para o desenvolvimento da prática literária no Brasil. Logo, cabe ao Estado comprometer-se com o aumento de oportunidades de estabilidade financeira ao povo, construindo escolas e universidades em áreas pobres, onde elas fazem falta e formarão cidadãos literatos, capazes de disputar bons empregos e diminuir a pobreza a longo prazo. Concomitantemente, a comunidade médica deve divulgar à sociedade o risco de uma vida desequilibrada, e garantir - por meio do convencimento - que suas orientações sejam seguidas. Tudo findando na calmaria necessária para a evolução do hábito de leitura nos brasileiros.