Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2020

Apenas nos anos de 2019 e 2020, uma das livrarias mais conhecidas no Brasil, a Livraria Saraiva, teve de fechar mais de 30 das suas filiais no país. Nessa conjuntura, a queda no número de vendas levou à falência diversas empresas do ramo educativo, a exemplo, também, da Livraria Cultura. Esse fato reflete, além da crise financeira enfrentada pela nação, a realidade vivida pela população brasileira: o desábito da leitura. Sob essa perspectiva, em concordância com o Instituto Pró-Livro, menos de 45% dos brasileiros possuem a prática da leitura. Por isso, é importante analisar que a negligência governamental, caracterizada não apenas pela falta de incentivo à leitura, mas, também, pela restrição no acesso a livros, é o principal desafio para essa prática no Brasil.

Em primeiro lugar, ressalta-se a falta de encorajamento fornecido pelo governo ao povo. Nesse contexto, aulas de incentivo ao ato de ler não se fazem presentes na grade curricular dos alunos no país. Dessa forma, a carência de estímulo à leitura para os estudantes brasileiros desde a infância é um impasse para o desenvolvimento desse hábito na população. Como prova disso, de acordo com a Câmara Brasileira do Livro (CBL), a média do nível de leitura dos alunos no Brasil é menor que a dos demais países. À vista disso, verifica-se a necessidade de medidas educativas para reverter esse cenário.

Além disso, salienta-se a dificuldade dos cidadãos no acesso aos livros. Nesse sentido, depois dos diversos ajustes de impostos feitos pelo Ministério da Economia (ME), os preços dos livros aumentaram em cerca de 150% nos últimos dez anos, segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). Dessa maneira, grande parte da população brasileira não possui acesso a materiais, bem como livros, revistas e gibis. A título de exemplo, quase 12 milhões de famílias brasileiras sobrevivem com um salário mínimo, consoante o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Isso posto, explicita-se a importância de um programa que democratize o acesso a esses materiais.

Em síntese, a escassez de incentivo governamental, somada às altas taxas impostas sobre livros, é um obstáculo para a promoção do hábito da leitura no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por meio da criação do Projeto de Estímulo à Leitura (PEL), proporcionar aos aulos aulas que os incentivem a ler não apenas livros, mas, também, jornais, gibis, revistas e artigos. Ademais, ele deve, em parceria com o ME, mediante a elaboração do Projeto Leitura Para Todos, que garante a ampliação do acesso à leitura, reduzir os impostos excessivos cobrados sobre os livros. Essas medidas devem ser efetuadas com o fito de elevar o baio índice de leitura entre a população brasileira. Assim, espera-se combater os desafios existentes para a prática da leitura na sociedade.