Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 23/10/2020

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, um corpo tende a ficar parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da lei da física, é possível perceber a mesma condição no que concerne aos desafios da leitura no Brasil. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar a situação, que possui o preço alto das obras, como a falta de incentivos a leitura como agravantes do problema.

Primeiramente, o valor dos livros mostra-se como um dos desafios a resolução do problema. Assim como na obra “O Cortiço’’, de Aloísio de Azevedo, a desigualdade social ainda é muito presente na sociedade. Na Europa, um livro sai bem mais barato que no Brasil: na França, um dos volumes com “As Aventuras de Asterix” custa o equivalente a nove reais, já no Brasil, é dezessete. Consequentemente, os altos preços assustam possíveis consumidores, e faz com que aqueles que deveriam desfrutar da leitura, prefiram investir seu dinheiro em artigos de primeira necessidade, deixando a cultura em segundo plano.

Outrossim, a falta de incentivos da família a leitura ainda é um grande impasse na resolução do problema. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina de produzir personalidades humanas. Por essa ótica, o não costume de ler apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema se encontra dentro das casas das pessoas e estende-se por uma longa linha de tempo. Conforme confirma a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, a quantidade anual média de livros lidos no país é de 4,96 por habitante; os dados mostram que a prática da leitura ainda tem que melhorar substancialmente. Logo, medidas são necessárias para resolver o problema.

É fundamental, portanto, a criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério Público. Tais ações devem se dar por meio de vídeos nas redes sociais sobre a responsabilidade e a importância que a família tem no hábito de leitura das crianças e jovens e dos indivíduos enquanto seres singulares, além de oferecer ideias de formas lúdicas para o incentivo à leitura, mitigando o paradigma de que a leitura é um hábito chato e obrigatório. Assim, ressalta-se a importância de resolver a problemática no momento atual, pois, como defendeu Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o certo”.