Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/10/2020

Segundo dados de um levantamento elaborado por Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, 44% da população brasileira não tem o costume de ler. Isso é devido ao baixo estímulo da sociedade em fomentar esse hábito de leitura ao público infantil, bem como aos elevados tributos que encarecem o preço dos livros, limitando a compra pelos leitores assíduos. Por conta disso, o país não evolui em termos sociais e econômicos. Por isso, a atuação do Estado em reverter esse cenário aterrador, com efeito, torna-se crucial.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a falta de incentivo da prática da leitura, desde a infância, gera, no futuro, indivíduos desinteressados por conhecimentos gerais. Nesse sentido, os pais e os professores, de fato, não estimulam as crianças a terem o hábito da leitura. Infelizmente, em vez de engajá-los no mundo da educação - a qual proporciona, aos tenros leitores, sabedoria, entendimento, discernimento, por meio da literatura, da filosofia, das ciências -, esses responsáveis preferem jogá-las no mundo do entretenimento, como os jogos eletrônicos, que são pobres em conteúdos informacionais, engrandecedores. Dessa maneira, ao tornarem-se adultas, essas pessoas serão alienadas intelectualmente, comprometendo a capacidade delas de agir racionalmente em situações difíceis.

Em segundo lugar, é importante destacar que o papel do Estado em tributar livros contribui, progressivamente, para o aumento do número de cidadãos brasileiros que não praticam o hábito da leitura. Nesse contexto, com a redução da quantidade de leitores, a qualidade da educação brasileira também é reduzida, já que, em qualquer instituição de ensino analisada, como as universidades, o nível delas é medido, essencialmente, pelos alunos, pois são eles que criam pesquisas, projetos e trabalhos acadêmicos. Consequentemente, com a escassez de estudantes competentes, decorrente do péssimo costume de leitura, o Brasil perde com inovações no campo tecnológico e social. Dessa forma, o país corre na contramão do desenvolvimento sócio-econômico.

Diante do exposto, para contornar essa triste conjuntura social, é dever do Ministério da Educação, por meio de decretos governamentais, promover nas escolas primárias campanhas educativas que visem a prática da leitura na infância, seja pela distribuição de livros, seja pela obrigação dos pais e professores em estimular as crianças a lerem essas obras literárias. Além disso, cabe ao Ministério da Economia, mediante a criação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), proibir toda aplicação de tributos no mercado de livros, para que não haja o encarecimento excessivo desses produtos, facilitando a aquisição desses livros pelos leitores brasileiros. Assim, tais medidas serão vantajosas para o estabelecimento do hábito cultural da leitura no Brasil.