Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 20/10/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito insofismável à educação e ao bem-estar social. Contudo, ao analisar o Projeto de Lei (PL) 3.887/2020 que prevê a substituição de Cofins e PIS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), vê-se que é indubitável o fato de que grande parcela da população brasileira, cerca 44% segundo pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, que já não praticam regularmente a leitura, será ainda mais prejudicada para desfrutar desse direito universal na prática, e o resultado desse quadro é a não participação, no futuro, da população brasileira na comunidade científica, ou seja, comprometendo o avanço tecnológico e soberania nacional perante o mundo.

Por certo, a educação é o principal fator na economia de um pais. Hodiernamente, ocupando a décima quinta posição na economia mundial, seria plausível afirmar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Em contrapartida, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido nas obstáculos promovidos pelo governo para dificultar o acesso aos livros. É inadmissível que um país tão rico comprometa o acesso a educação e cultura de qualidade para seus habitantes.

Por isso, enquanto não for ratificada uma lei que vise garantir a facilidade ao acesso e aquisição de livros ao invés de dificulta-la agregando maiores impostos, o afastamento da prática de leitura continuará se expandindo, promovendo o regresso científico e cultural da população brasileira, pois, como já citou o filósofo prussiano Immanuel Kant: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Destarte, o incentivo a educação e cultura é um fator primordial para a progressiva redução do afastamento popular para com a leitura, que refletirá no desenvolvimento intelectual do brasileiro.

Portanto, medidas são necessárias para resolver os impasses. Logo, é preciso que o Poder Legislativo reconheça a necessidade dessa causa e, além de vetar o Projeto de Lei (PL) 3.887/2020, em parceria com o Ministério da Educação realizar uma ampla divulgação midiática que reconheça a importância da leitura como essencial no desenvolvimento intelectual, por meio de propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre professores e alunos. Nesse sentido, o intuito de tal ação é que o acesso, bem com a intimidade com a leitura que até então é mínima, seja democratizada e ampliada, pois, somente dessa forma, o Brasil poderia, gradativamente, superar o infortúnio educacional e cultural.