Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 27/10/2020

“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente essa sede.” A célebre frase de Carlos Drummond de Andrade é adequada à conjuntura contemporânea, visto que, apesar de ser uma ferramenta de inúmeras qualidades, o hábito da leitura enfrenta desafios quanto à sua concretização na população brasileira, seja pelos altos preços dos livros, seja pela falta de estímulo do sistema educacional em relação a essa prática. Nessa perspectiva, medidas interventivas tornam-se necessárias.

Em primeira análise, pode-se afirmar que os exorbitantes valores cobrados em obras literárias corroboram para que essas fiquem restritas a uma elite financeira. De acordo com um novo projeto de lei proposto pelo Ministério da Economia, os impostos sobre o preço do livro devem aumentar, ocasionando um acréscimo de 20% no valor final do produto, o que tornará este bem ainda mais inacessível às parcelas populacionais menos favorecidas. Tal situação vigente é criticada pelo escritor contemporâneo Sérgio Vaz, que faz uso da metáfora para dizer que “a literatura é uma dama triste que atravessa a rua sem olhar para os pedintes, famintos por conhecimento.” Assim, evidencia-se que o sistema capitalista excludente, inviabiliza o desfrute de obras literárias por grande parte da massa.

Ademais, cabe ressaltar o descaso governamental em relação ao campo educacional como agravante do problema. É sabido que o sistema de ensino vigente no País não estimula o hábito da leitura nos estudantes, uma vez que essa prática é encarada como algo mecânico e obrigatório no ambiente escolar, o que afasta o aluno, gerando reflexos na vida adulta. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro, quase 50% dos brasileiros não costumam ler. Dessa maneira, compreendendo-se a leitura como agente transformador e essencial na construção do senso crítico, a falta de investimento em novas formas de ensino que a incentivem, compromete gravemente a plena instrução da população.

Portanto, conclui-se que a prática da leitura ainda enfrenta entraves no Brasil. Dessarte, é papel do Estado, por meio de investimentos, realizar a construção de bibliotecas populares, sobretudo em áreas carentes, que disponham de clássicos literários e best-sellers atuais, a fim de propiciar a prática literária em parcelas populacionais desfavorecidas economicamente. Além disso, cabe ao MEC desenvolver novas formas dinâmicas de incentivo à leitura, por meio da criação de “clubes do livro” e da inserção de obras contemporâneas bem-sucedidas entre o público infantojuvenil na didática de ensino, por exemplo, a fim de estimular essa prática e torná-la frequente na vida da população desde cedo. Assim, todos poderão desfrutar dessa prazerosa fonte de conhecimento descrita por Drummond.