Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 21/10/2020

Na obra “Utopia”, do escrito inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se em uma população culta e pacífica. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que há dificuldade de se criar uma cultura de leitura no Brasil. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária, motivada pelo precário apoio do Estado, que não facilita o acesso da população para com a cultura literária, e pela deficiência do setor educacional, analisar essa problemática é medida que se faz imediata.

É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma o ócio do governo em estimular o acesso a livros e livrarias no Brasil serve para perpetuar essa barreira. De acordo com uma proposta tributária do Ministério da Economia, é previsto um aumento nos impostos sobre os livros, o que encareceria o produto final e excluiria as classes mais vulneráveis de terem acesso à literatura. Antagonicamente à ideia de educação libertadora proposta por Paulo Freire, que defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, se libertar da manipulação, o brasileiro vive em um cenário que progressivamente limita seu pensamento reflexivo.

Cabe mencionar, adicionalmente, como a ineficiência do setor educacional é fator decisivo para essa problemática. Segundo o filósofo Friedrich Hegel, que defende o estado como pai da sociedade, o poder público brasileiro age de forma antagônica quando não participa da educação de seus filhos. Sob esse pressuposto, um estudo do IBGE demonstra que quase 7% da população é analfabeta, esse quadro alarmante expressa como o deficit desse setor perpetua o caos na sociedade; haja vista que familiares analfabetos podem nunca introduzir o hábito da leitura para seus filhos se a escola não deter papel ativo nessa conjuntura.

Infere-se, portanto, que ações públicas são medidas que se fazem imediatas. Dessa maneira, é imperiosa uma ação do Ministério da Educação, que deve, por meio de oficinas literárias, distribuir obras, de forma gratuita, sobre os mais diversos assuntos, e, com o auxílio de professores capacitados que promovam o debate, orientar a inserção de cidadãos na prática da leitura. Além disso, é vital a maior disponibilidade de verbas para o setor educacional - por meio do Tribunal de Contas da União -, com o encargo de construir novos centros educacionais para a alfabetização de classes menos abastadas de todas as faixas etárias, através da distribuição de cartilhas e auxílio pedagógico. Assim, diminuir-se-à a barreira que separa o brasileiro da literatura, e a coletividade poderá se aproximar da Utopia de More.