Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 21/10/2020

O sociólogo Émile Durkheim definiu a sociedade como um organismo biológico cuja parte em disfunção ocasiona o colapso de todo o sistema. Nesse viés, os desafios para a prática da leitura, sobretudo no Brasil contemporâneo, revelam o sistema educacional do país como uma parte em disfunção, a qual poderá contribuir para um colapso social futuramente. Assim, é fundamental analisar os fatores que interferem nessa problemática, a fim de liquidá-la.

Em primeiro lugar, o tema em questão é fruto da falta de acesso à educação no país. De acordo com pesquisas feitas pelo IBGE, 731 mil crianças ainda estão fora da escola. Nesse sentido, torna-se evidente que o baixo investimento governamental na educação primária está diretamente relacionado ao desinteresse precoce pelos livros. Em virtude disso, sem ir à escola, muitos jovens e crianças não desenvolvem a prática da leitura de forma adequada, o que limita o desenvolvimento intelectual desse grupo e, posteriormente, dificulta o seu ingresso no mercado de trabalho. Logo, é fulcral a alteração desse quadro imediatamente.

Em segunda análise, a problemática supracitada deriva, ainda, da cultura digital de entretenimento do século XXI. Isso porque, com o advento da Revolução técnico-científico-informacional, ocorrida no final do século XX, a tecnologia permitiu a integração de todas as partes do mundo como nunca visto antes. Dessa forma, o desenvolvimento de redes sociais e aplicativos fez com que a população brasileira gradativamente passasse mais tempo no celular ou no tablet e menos tempo dedicando-se à leitura como meio de entretenimento. Consequentemente, os livros estão cada vez mais obsoletos na sociedade brasileira e a população cada vez com menos conhecimento.

Portanto, de modo a resgatar o importante hábito de leitura na vida do povo, medidas exequíveis devem ser tomadas. A priori, cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o investimento na disponibilização do acesso à educação no país de forma integral. Isso deve ser feito por meio de planos econômicos de desenvolvimento educacional - os quais contemplem a necessidade do investimento na construção de bibliotecas nas escolas públicas - para que os jovens e as crianças, desde cedo, estejam inseridos no mundo dos livros. Ademais, é função do Ministério da Saúde, em ação conjunta com o Ministério da Educação, veicular informações, por meio de campanhas publicitárias, sobre os danos físicos de se passar muito tempo nos dispositivos eletrônicos, bem como sobre as perdas no âmbito acadêmico ao abdicar do tempo de leitura pelo entretenimento virtual. Com isso, o organismo social-biológico descrito por Durkheim estará mais distante do colapso.