Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 21/10/2020
Importantes mudanças estruturais foram implementadas com a chegada da Família Real no Brasil, em 1808. Uma dessas, foi a criação da Imprensa Régia, que visava aumentar a circulação de jornais, livros e periódicos entre a população, embora estivesse mais restrita às elites sociais. Com isso, a herança deixada por tal restrição persiste na sociedade brasileira contemporânea e alimenta desafios para a popularização da literatura. Assim, é importante ressaltar que a cultura de leitura deficitária e os baixos investimentos estatais são parte dos percalços a serem superados.
É imperioso salientar, primeiramente, que uma expressiva parcela dos brasileiros não consomem obras literárias em geral. Ademais, muitos benefícios advindos com a prática da leitura, como conhecimento de mundo, interpretação de texto, senso crítico, bagagem cultural deixam de complementar a educação dessas pessoas. Ora, isso assume um extremo contraste pelo fato de o Brasil possuir uma das maiores populações mundiais e um dos eventos mais notáveis da América do Sul, como a Bienal do Livro e, mesmo assim, 44% da população não leem livros e 30% nunca comprou uma obra literária, como atesta o Instituto Pró-Livro.
Concomitantemente, os baixos incentivos governamentais incrementam a defasagem da leitura no Brasil. Marcos da Veiga, Presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros, afirma ser necessário haver educação e renda para um mercado forte e saudável de leitura. Dessa forma, isso se torna muito pertinente a realidade brasileira, já que existe uma notória desigualdade social na população que restringe seu acesso aos livros, seja pelo preço, falta de bibliotecas, eventos mais constantes e políticas de incentivo que tornem a leitura algo mais popular e habitual. Mostra-se, com isso, os resquícios da época imperial de cerceamento dos livros a quem possui condições de obtê-los.
É urgente, portanto, ações que estimulem a leitura no Brasil e cabe ao Ministério da Educação, órgão de alcance federal, elaborar e executar mecanismos que tornem a prática do consumo literário mais acessível. Isso pode ser realizado por meio de incentivos fiscais às editoras, para desonerar o preço dos livros, fornecer acervos bibliotecários às instituições de ensino, como escolas, faculdades e bibliotecas públicas. Além disso, o ministério deve estimular a realização de eventos, como a Bienal, de forma mais frequente em várias regiões brasileiras e alinhar isso a campanhas publicitárias sobre a importância e os benefícios da leitura. Essas medidas visam elevar a acessibilidade aos bens literários, popularizar e fomentar a cultura e a prática da leitura na sociedade brasileira. Assim, esse direito, que já fora restrito às elites imperiais, estará ao alcance de muitos outros cidadãos brasilianos.