Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 23/10/2020

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a prática da leitura no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da utilização errônea dos livros nas escolas, quanto da influência dos pais exercida sobre as crianças.

Primeiramente, é imprescindível destacar que o uso de obras com organização lexical complexa, pelas instituições de ensino, dificulta o desenvolvimento do hábito da leitura do estudante. Dessa forma, é notório que a falta de busca por livros é fruto do escasso incentivo escolar, já que o professor, indivíduo que deveria fomentar a busca dos alunos por livros, utiliza obras literárias, na qual a linguagem rebuscada é uma característica, em uma prova ou como maneira de avaliar o aluno. Com isso, o jovem se depara com um texto difícil e entediante, que apenas será utilizado como meio avaliativo, por consequência, tal fato desencadeia o pensamento de que toda leitura terá essas características, afetando o desenvolvimento desse hábito.

Outrossim, cabe salientar que no período de desenvolvimento, o indivíduo recebe grande influência da família. Desse modo, segundo o filósofo Émile Durkheim, “as pessoas são influenciadas pelo meio em que vivem, desde suas ideias até a maneira de agir”. A partir desse pressuposto, é evidente que se no ambiente parental não exista uma pessoa que tenha o hábito da leitura e instigue o adolescente para ler, e dificilmente tal característica será desenvolvida pelo jovem. Por conseguinte, ele não adquiri a prática da leitura.

Portanto, é mister que, para atenuar a problemática, cabe ao Ministério da Educação implementar na grade comum curricular uma disciplina que, através da prática da leitura, faça com que os alunos escolham livros sobre os assuntos que lhes interessam e, a partir disso, os instigue para lê-los, com o intuito de realizar uma apresentação abordando os principais tópicos do texto, com o objetivo de desenvolver adolescente que tenham como característica a prática de leitura. Ademais, cabe ao Estado, por meio de políticas públicas, ofertar palestras com escritores e psicólogos, na qual pela abordagem sobre os benefícios da apreciação de obras e a influência que a família possui sobre os adolescentes, fomente o surgimento do hábito de interpretação de textos, tendo como meta aumentar o número de leitores. Nessa perspectiva, haverá uma sociedade que busca aproximar-se da ideia defendida no livro de More.