Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 22/10/2020
No filme “O menino que descobriu o vento”, o protagonista William transforma a realidade de sua comunidade através de livros que o permitiram vislumbrar novas perspectivas acerca dos problemas encontrados em seu contexto. De maneira análoga a realidade brasileira, o jovem se esbarrou em limitações financeiras e na ausência do incentivo de seus pais até alcançar êxito. Dessa forma, urge a necessidade de se discutir os desafios para a prática da leitura no Brasil com fito ao estimulo desse hábito tão importante para superação das mazelas sociais.
A princípio, é válido asseverar que a alta carga tributária e a falta de incentivos fiscais por parte do Estado constitui a barreira inicial para o avanço da prática da leitura no Brasil. Tais aspectos são refletidos nos baixíssimos índices de desenvolvimento educacional alcançados pelo país no Programa Internacional de Avaliação de Alunos. É inadmissível, portanto, que o hábito de ler seja negligenciado pelo poder público ao passo que este tem o dever constitucional de zelar pelo progresso da cultura e da educação. Nesse país, o hábito de ler tem o compromisso de desenvolver enriquecimento cultural, o senso crítico e a reflexão social que são inerentes à formação cidadã.
Em segundo lugar, outro empecilho à prática da leitura no país é a necessidade de incluir o hábito na esfera familiar. Para o filósofo polonês Zygmunt Bauman, os pais tem papel basal na formação dos indivíduos, sendo que parte dessa formação se dá através do hábito de ler. Dessarte, é preciso que a leitura seja estimulada ainda na gênese social do cidadão brasileiro, vez que sua práxis ou a ausência dela influi sobre toda vida adulta. Logo, a família, em parceria com o Estado devem cumprir seu papel para garantir o pleno desenvolvimento dos brasileiros por meio do enriquecimento cultural proposto pelos livros.
Em suma, haja visto a leitura ser fundamental para o desenvolvimento da cidadania, é mister a adoção de estratégias políticas com o intuito de transpor as adversidades a essa prática. O Estado, nesse sentido, deve assegurar a democratização da leitura por meio da criação de incentivos fiscais para redução dos preços dos livros e da criação de bibliotecas com acervos atualizados e opções de livros diversos para a população. Ademais, o Governo deve convocar mesas redondas, audiência públicas e rodas de conversas com a comunidade civil, através do Youtube, Instagram e Twitter com a finalidade de estimular a sociedade a incluir o hábito de leitura no ambiente familiar. Tudo isso é imprescindível para a superação dos desafios para prática literária no Brasil ao fomentar o desenvolvimento das pessoas e incentivar o exercício da cidadania a partir da aquisição de um olhar crítico por para dos brasileiros sobre sua realidade.