Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 22/10/2020

No conto de fadas “A bela e a fera” retrata o amor da protagonista pela leitura, sendo a única da sua vila a frequentar a biblioteca e consequentemente possuir um conhecimento mais crítico e amplo sobre o mundo que a cerca. Fora da Ficção, esse comportamento da personagem não é uma ação comum no Brasil, visto que o país possui desafios para a formação da prática da leitura, ocasionando uma sociedade acrítica e de fácil poder manipulador. Acerca disso, os principais obstáculos para esse entrave são: o sistema de ensino bancário e preço inacessível do livro.

A priori, a educação dentro das escolas se torna, cada vez mais, voltada a conteúdos e menos à  formação consciente do indivíduo. Sob esse viés, o próprio sistema de ensino não propicia o hábito de leitura como algo transformador e agradável, ao invés disso, impõe o livro como objeto apenas para fazer uma prova, ou seja, passa a ideia de que ler deve ser com o intuito de conseguir a aprovação. Sob essa perspectiva, fica cada mais difícil formar leitores assíduos, pois esses estudantes não saem do colégio com o hábito de leitura, nesse sentido, o pedagogo “Paulo Freire” afirma que a educação se tornou bancária, isto é, voltada para a passividade e repetição, a fim de status e dinheiro, um sistema mercantilizado. Diante disso, a falta de um viés educacional aliado à uma formação que incentive a prática de ler,com uma singularidade capaz de mitigar diferenças sociais, deixa o conhecimento restrito.

Além disso, o preço caro dos livros o torna elitizado, de modo que uma parte da sociedade não possa usufruir e ter uma prática de leitura. Sob essa ótica, houve na câmara um projeto de lei que visa o aumento de impostos sobre os livros, dificultando a estimulação de possuir esse objeto. Diante desse cenário, tornar esses acervos de difícil acesso à população faz com que a educação brasileira esteja sempre em declínio no quesito analfabetismo funcional- que sabe ler, mas não consegue interpretar. Ou seja, um indivíduo sem um hábito de leitura é desprovido do  acesso à informação e pleno exercício dos seus direitos, e por isso deve haver a acessibilidade do preço, ou projetos que inclua todos nesse meio.

Portanto, para que a prática da leitura seja transformadora e acessível, cabe ao Ministério da educação junto as escolas instigarem o hábito de ler para além de uma prova ou da sala de aula. Isso, por meio projetos nas aulas como “quem ler, sabe o porque das coisas”, incentivando, independente do conteúdo, mediadores de leitura, metas, de modo que possa destituir esse peso obrigatório de ler e transformá-lo em um ato espontâneo do cidadão. Ademais, esse Ministério, junto com bibliotecas dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), integrar as comunidades próximas e mais carentes a organizações e projetos de leitura, montando acervos bibliotecários nesses locais, além de impedir a taxação dos livros, a fim incluir o sujeito no conhecimento mais amplo do mundo.