Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 23/10/2020
Segundo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida” vivida no século XX. A prática da leitura no Brasil reflete essa realidade, visto que, a ausência de uma base familiar concreta e políticas públicas de democratização a leitura influenciam diretamente nos hábitos do cidadão brasileiro referente a essa prática.
Em primeiro lugar, a não democratização do acesso a leitura é evidente, uma vez que cerca de 45% da população não é aderente a esse hábito, conforme dados da matéria do site Edição do Brasil. Embora o preço dos livros não tenha sofrido muitas variações, como afirma Marcus da Veiga, em entrevista para o site O Tempo, os valores encontrados em livrarias não condizem com a realidade da maior parte da população brasileira, uma vez que o ganho mensal é destinado para serviços e produtos essenciais a sua subsistência.
Por outro lado, segundo matéria do site Edição do Brasil, o hábito da leitura se dá primeiramente em casa, pelos pais ou responsáveis. Contudo, a dinâmica da sociedade brasileira atual impede o desenvolvimento da leitura, assim como na modernidade líquida descrita por Bauman, os indivíduos atuais estão tão submersos em suas rotinas e afazeres, que não sobra tempo para se fortalecer relações sociais, desenvolver práticas ou iniciar novas atividades.
Por conseguinte, o Ministério da Educação deve inserir no currículo escolar obrigatório, matérias que utilizem um grande fluxo de leituras e evidenciem a importância de ser um leitor, além disso, a inserção de rodas de conversa com a presença dos pais dos estudantes também é imprescindível, por intermédio de escolas públicas e auxilio de profissionais da educação, com enfoque no abastecimento das bibliotecas dessas escolas. Como resultado dessa nova perspectiva, propõe-se não somente uma sociedade mais democrática, com mais acesso a livros, mas também o fortalecimento dos laços familiares.