Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 23/10/2020
No livro “A menina que roubava livros” é retratada a história de uma garota na qual é traumatizada por diversas situações durante a vida e utilizada a leitura como válvula de escape em um cenário no qual os livros são proibidos. Em comparação a realidade atual, a circunstância assemelha-se aos constantes desafios acerca da prática da leitura, principalmente, no Brasil devido a fatores como: elitização do acesso aos livros, bem como a permanência da cultura imediatista vigente na sociedade. Convém ressaltar, a princípio, que um dos maiores empecilhos para o incentivo a tal prática supracitada no Brasil é o preço elevado dos livros no mercado, tornando-se esse material como um artigo de luxo usufruído apenas pela elite. Nesse sentido, existe uma lei governamental que garante a universalização do direito ao acesso ao livro em vigor desde 2018. Todavia, nota-se que apesar de um direito irrevogável a realidade é oposta no qual os menos favorecidos socialmente não tem acesso facilitado desse recurso e assim são marginalizados pela falta de conhecimento gerado pela leitura. Logo, enquanto a elitização for a regra, o desejo de um crescimento na quantidade de leitores será a exceção.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a presença da cultura imediatista tão presente na sociedade moderna o qual resulta no constante acesso a textos, porém cada vez menos conhecimento. Nesse contexto, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman defende que o imediatismo e a educação são como água e óleo, sendo assim quando uma está presente a outra não pode prevalecer simultaneamente. A partir disso, percebe-se que o grupo nascido nessa perspectiva não conseguem permanecer com hábitos duradouros com facilidade e assim enxerga a leitura com banalidade uma vez que o aprofundamento de possíveis tema não os interessam provocando uma geração ilimitada – por, muitas vezes, possuir acesso à internet – porém vazia, sem fundamentos sólidos.
Constata-se, portanto, a necessidade de garantir mecanismos que minimizem os desafios para prática da leitura no Brasil. Para que isso ocorra, é preciso que o Ministério da Educação promova oficinas de sensibilização nas instituições de ensino públicas e privadas – principalmente para o ensino básico – por meio de decretos deliberados nacionalmente através de encontros e palestras com escritores que disponibilizem obras literárias e discutam com os estudantes acerca da importância da leitura. Com isso, seria possível difundir mais tal prática e minimizar a discrepância social entre alunos particulares e da rede pública. Assim, tais problemáticas apontados pelo livro “A menina que roubava livros” venha a ser, um dia, apenas um roteiro ficcional e não mais documental, bem como os direitos governamentais seja, enfim, assegurados na prática.