Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 23/10/2020

O Instituto Pró-Livro divulgou que, no Brasil, quase metade da população não tem hábito da leitura. Dessa maneira, esse números demonstram que desafios para a prática de ler estão presentes de forma complexa na realidade brasileira. Diante disso, é lícito afirmar a necessidade de solucionar essa problemática, que é causada pela desigualdade social e pela má formação educacional hodierna.

A princípio, é fundamental compreender que a má divisão socioeconômica, como uma questão sistêmica, é um grande responsável pela complexidade e dimensão desse problema. Nesse sentido, conforme Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço, a desigualdade social surge com base na disputa por propriedade privada, poder e riqueza. Desse modo, constata-se que essa situação instaura um cenário que contribui para a permanência da não prática de leitura, já que promove a disseminação desse impasse, pois, famílias de baixa renda não tem condição de comprar livros, e está eminentemente enraizado no país - como informa o Coeficiente de Gini que o Brasil se encontra entre os dez países mais desiguais do mundo. Logo, indubitavelmente, a estratificação econômica concentrada a uma pequena parcela da sociedade dificulta a dissolução desse desafio.

Somado a isso, é importante ressaltar que a educação deficitária, por não informar os estudantes sobre esse problema, dificulta a dissolução dele. Nessa perspectiva, de acordo com Paulo Freire, filósofo brasileiro, a educação presente no Brasil é “bancária”, isto é, não estimula o senso crítico e a autonomia do indivíduo. Dessa maneira, verifica-se que o sistema de ensino brasileiro precisa levar à pauta a prática de leitura, mas isso não tem ocorrido, já que a grade curricular explora apenas assuntos conteudistas que fazem esse tema não receber a atenção devida, o que acaba por dificultar uma possível atuação futura sobre ele. Assim, infelizmente, as escolas, ao não debaterem temáticas sobre essa questão com os estudantes, prejudicam a resolução para esse não hábito, já que forma cidadãos despreparados para entender e lidar com esse impasse.

Portanto, medidas capazes de mitigar essa problemática devem ser tomadas. Posto isso, o Governo Federal deve, por meio de um projeto de lei entregue ao Congresso - que contará com comissões na Câmara dos Deputados e no Senado Federal -, criar um Plano Nacional para Promover a Leitura, que, além de continuar com a isenção de imposto sobre o livro, dará incentivos fiscais para editoras e livrarias. Ademais, esse plano, em parcerias com as escolas, irá promover campanhas para alunos e professores entenderem questões relativas a leitura e se tornarem cidadãos com prática de leitura. Espera-se, com essas medidas, que o dado divulgado pelo Instituto Pró-Livro diminua drasticamente, aumentando o número de leitores.