Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 24/10/2020
O termo “indústria cultural”, cunhado pelos autores Adorno e Horkheimer, da escola de Frankfurt, foi usado para criticar o fenômeno de consumo massivo de bens culturais, projetados pela indústria capitalista, com o intuito único de produzir lucro. Com esse fenômeno, a prática de leitura também entrou em decadência, uma vez que a indústria cinematográfica passou a ascender rapidamente e assumiu lugar de preferência, principalmente entre os mais jovens, que já nasceram familiarizados com essa homogeneização cultural. Devido à isso, observa-se hoje, não só no Brasil mas em todo o mundo, um decréscimo constante no número de leitores; dentre os principais motivos para tal encontram-se questões de cunho econômico e a influência de outros tipos de entretenimento, como filmes, jogos de videogame e redes sociais.
Nessa perspectiva, o sociólogo Pierre Bordieu, que afirmava que os indivíduos não são equivalentes dentro do meio social, em sua “teoria dos capitais” propôs a existência do chamado “capital cultural”, que relaciona-se com os conhecimentos acumulados por determinados indivíduos - a depender do meio em que foram socializados -, e que podem acarretar em futuras vantagens para esses. Quanto a isso, o contato com os livros configura-se como uma espécie de capital cultural, e que, infelizmente, também vem associado do capital econômico, haja vista que entre as parcelas populares o consumo de livros é consideravelmente menor, seja pelo preço dos livros ou pelo fato de a prática da leitura não estar diretamente associada a obtenção de renda - preocupação muito relevante para os mais pobres.
Além disso, as formas de entretenimento modernas, cada vez mais tecnológicas, apresentam uma atratividade muito maior, que coloca a leitura em segundo plano. Por conseguinte, crianças, adolescentes e até mesmo adultos, preferem cada vez mais suas TVs, tablets e celulares do que um compilado de folhas visto como ultrapassado, uma vez que a leitura passou a ser vista como um ato laborioso, que não propicia prazer imediato e normalmente vem associado de reflexão e senso crítico. A partir disso, percebe-se a formação de uma sociedade hedônica, que valoriza cada vez mais a busca pelo prazer supremo, ainda que esta venha acompanhada da ignorância.
Diante do exposto, verifica-se a necessidade de revalorizar e ressignificar o hábito da leitura, visto que essa é essencial para a formação de sujeitos críticos e atuantes no meio social. Para isso, é necessário que as instituições de ensino brasileiras, principalmente em nível básico, estimulem a leitura em seus alunos, por meio de atividades lúdicas, por exemplo, como o conto de história, representações teatrais de livros, rodas de conversar e debates à cerca de leituras específicas, dentre outras práticas. Desse modo, é possível diminuir a influência da indústria cultural sobre os indivíduos e assim formar cidadãos mais ativos na sociedade, na política e em outros campos sociais.